Zine Pasárgada
foi um Fanzine cultural e educacional que se propôs divulgar os mais diversos tipos de expressões artísticas e os mais variados assuntos.

O jornal Pasárgada teve 3 edições impressas e distribuídas na cidade de Piracicaba/SP e está guardado, junto com outras idéias, no limbo da falta de tempo e dinheiro.

O blog retomou a proposta do Zine e abriu espaço para diversidade de idéias e de expressões.

Hoje o blog acompanha o jornal e as atividades estão encerradas.

Foi uma grande satisfação ser um dos amigos do Rei.

Fábio

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Partido dos Trabalhadores - 30 posts, parte 3

Olá queridos e queridas, como vão?

Demorei (de novo) mas voltei... Isso já é uma constante, a demora, a volta... ainda bem que há sempre a volta =)

Pois bem, continuando a sequência dos 30 posts, faço a terceira parte sobre uma das partes mais importantes e conflituosas de minha vida adulta, o Partido dos Trabalhadores.


O PT entrou cedo na minha vida, ainda adolescente eu me interessei pelas ideias diferentes e por me desviar do senso comum. Procurei no PT o espaço para diálogo e debate que faltavam em minha vida de trabalhador assalariado e estudante secundarista. Encontrei.

Acontece que tudo que fiz no PT, foi realizado na minha cidade, Piracicaba, interior de SP.
Piracicaba, da qual eu já falei aqui no primeiro dos 30 posts, é uma cidade conservadora, provinciana. É uma cidade que não gosta muito do PT... e isso faz com que o próprio PT sofra por lá. Bata cabeça e seja acometido por uma síndrome de pequeno poder!
As pessoas ficam roendo o osso e pisando umas nas outras, para manter (ou conquistar, mas pouco conquistar) um pedacinho de um poder que não representa quase nada.

Isso traz prejuízos enormes para o grande projeto do Partido dos Trabalhadores. Projeto que agora só faço parte como um "torcedor" e simpatizante, pois, após 13 anos de partido, eu me desfiliei.

Reproduzo aqui a minha carta de desfiliação, onde conto um pouco a minha trajetória, meus rancores e minhas conquistas:

Ao Partido dos Trabalhadores, Diretório Municipal de Piracicaba.

Peço aos companheiros que, por favor, formalizem meu desligamento do Partido dos Trabalhadores, fazendo minha desfiliação.
Não sou mais residente em Piracicaba e pretendo seguir minha luta política em minha nova cidade de residência, sem mais estar atrelado ao PT e especialmente ao DM de Piracicaba.
Aos que aguardavam esse momento para julgar, difamar e até comemorar a situação, é o que basta saber.

Aos meus verdadeiros companheiros, tenho um pouco mais a dizer.
Me filiei ao PT no ano de 1998, na campanha vitoriosa de nosso companheiro e meu querido mestre, José Machado. Campanha onde, aos meus 16 anos, conheci figuras importantes na minha vida. Campanha que me levou a participar da Juventude do PT. Uma campanha muito dura, em que tínhamos rejeição aos demais candidatos, inclusive a nossa candidata a deputada estadual, que foi derrotada.
Foi a campanha eleitoral que me introduziu a política. Debates nas esquinas, enquanto entregava panfletos. Chuva na porta de escolas. Aleluia de madrugada. Fiscal para brigar por espaço nas seções e zonas eleitorais. Apuração no ginásio.
Depois de 1998, não deixei de participar de nenhuma campanha. Todas elas fazendo campanha para o PT. Todas elas na rua, com bandeira, com estrela no peito.

Em 1999 (se não me falha a memória), fomos à Brasília na “marcha dos 100 mil pelo Brasil”. Depois dessa, vieram outras viagens. Protestos, marchas, lutas.
Conheci figuras que mudaram minha vida. Seu Lima, Fausto Forti e Téo, Pablo e Vanessa, Ronaldo Almeida, Brasilino Paiva, Jeferson Goulart, César Nadoti, Dr. Alexandre, Edson. Essas viagens me renderam professores a quem entrego para sempre minha admiração e respeito, rederam amigos de lutas, de bares e de sonhos, me rendeu um irmão. Um verdadeiro irmão.
Foi por mim que fiquei no PT até hoje. Por minha vontade, crença e por minha ideologia. Também por mim, acredito que meu ciclo no PT acabou.
Por eles, sinto pesar em sair. Só por eles.

Foi em 2000 que conheci o verdadeiro PT. As lutas internas, as forças “ocultas”.
Em 2000, depois de mais uma campanha vitoriosa, vi a transformação de muitos militantes em vorazes devoradores de cargos. Houve declarações de guerra. Muita disputa. Eu, que entregava panfleto para o Machado e fazia faculdade de Geografia, virei estagiário na nova gestão do PT.
De estagiário para Coordenador de Políticas Públicas para a Juventude. De Coordenador para inimigo declarado de algumas figuras do nosso partido.

Foi na caça as bruxas da campanha de 2004, onde se buscavam culpados pela derrota, que fui chamado para a Comissão de Ética do Partido. Daquela Comissão de Ética só reconheço a autoridade do companheiro Cláudio Arruda, e não por ser falecido, mas por ser o único que buscava explicações e não simplesmente uma fogueira inquisidora.

Como creio que, da forma que apontei no início desse documento, só meus verdadeiros companheiros continuaram a leitura, posso dizer a vocês de peito aberto: Me acusaram de fazer campanha para o PSDB. Aos que estiveram nesses 13 anos ao meu lado, militando, debatendo, lutando... seria isso possível? Aos companheiros que já ouviram essa história contada por mim, seria possível que eu defendesse um amigo em um momento difícil? Pois, vocês sabem das respostas.

Acontece que, naquele momento, muitos pularam grudados em bóias. Outros nadaram até se afogar. Poucos ficaram junto do navio. Eu fiquei até vê-lo afundar de vez.
Ao ponto de em 2008, trabalhar voluntariamente e ser o único carro não remunerado a fazer aleluia de material na madrugada antes da eleição. Abandonaram o companheiro Boldrin. Derrota anunciada? Sim. Desistir por isso? Não. Na noite chuvosa, estávamos rodando a cidade toda, eu no meu carro, Ronaldo no dele. Terminamos depois da votação já estar aberta. Uma noite na rua, enquanto os inquisidores de quatro anos antes dormiam confortavelmente. Na manhã seguinte, rumamos para as seções, para trabalharmos de fiscal.

E o “mensalão”, que retirou do PT figuras importantes? No momento em que era preciso lutar e enfrentar, os dedos que apontaram em muitas situações, serviram para apontar para o partido, como se o partido fosse feito apenas por aqueles que estavam envolvidos nas questões. Muitos de nós assumimos o PT para nós. Somos o PT e por isso, não somos desses que cometem desses “deslizes”. Mas, quanta gente fugiu!

Pois é, quanto orgulho, quanta mágoa, quanta força desse PT. Tanto sentimento assim, só pode vir do amor mesmo. Estou aqui, escrevendo e olhando para minha carteira de filiação, amarela e com os dizeres: “orgulho de ser PT”.
Em alguns círculos sou chamado de “Fábio do PT”, vejam só.

Recentemente, voltando a Piracicaba, cidade onde militei e vida toda e onde ainda voto, fiquei sabendo que os vereadores aumentaram seus salários em 75%.
“Mas e o vereador do PT, votou contra?”, foi minha pergunta imediata. Mas a resposta foi negativa. Que vergonha. De novo a indignação.
Cidade dominada pelos tucanos, com uma única voz “nossa”, que se cala. Ou pior, que ecoa do lado de lá. Vai saber, já não me interessa.
Quando interessou, ouvi algumas pérolas, como uma que dizia: “você não é de Piracicaba, mora em Recife, o que quer falar?”. E uma outra, que dizia: “De que adianta isso? Reclamar para não mudar nada? Protestar não adianta, não resolve, só serve para tipos como você”.
Sabe o pior? Essas pessoas conseguiram minar a resistência dos poucos que podiam protestar contra esse abuso.

Pessoas como eu. Que ao tentarem mostrar sua cara no PT, são julgadas (com preconceito e ignorância, quase sempre).

Que seja. Estou com o coração e com a história política em Piracicaba, não com o corpo. Pois também não estarei mais com o voto.
Pessoas como eu, que ainda acreditam no povo e nas ruas, nas marchas e nas conquistas. Pessoas como eu não querem desistir.

Não sou morno, luto e vivo o que acredito e por isso mudarei minha atuação política. Saio orgulhoso do que fiz e conquistei e agradeço aos verdadeiros companheiros. Contem comigo.

Minhas últimas PT saudações vão para vocês,
Um abraço e que a luta continue.

Atenciosamente,
Fábio da Silva Paiva


então é isso...a luta continua!
e lutar é uma satisfação!

6 comentários:

Rodrigo Almeida disse...

É isso aí Fabio!
A luta continua.
Da militância, somos refém!

Camila disse...

Nossa Fábio, emocionante.
Receba de mim admiração e uma dose de força para continuarmos em frente.

Com carinho,
Camila

Ronaldo Almeida disse...

É com muito dor no peito e com muita tristeza que curto este texto!!!!!!

Fábio disse...

Obrigado Rodrigo, obrigado Camila... sei que nessa luta estamos juntos!

Ronaldo, vc sabe que não é pela falta do PT que deixaremos de ser irmãos... aliás, não será por nada que isso vai acontecer.

gde abraço!

Leonardo Lopes disse...

Apesar de ser assumidamente PSDBista.. textaço! Parabéns, Fábio.

Condomínio Nova York disse...

Fábio, que perda a sua saída. Entretanto compreendo as suas razões e respeito sua decisão. Como militante, lamento imensamente sua saída do partiodo, como amigo, desejo-lhe muita boa sorte na sua nova trajetória. Tenho certeza que jamais abandonará a luta por uma sociedade mais justa, independentemente de estar ou não filiado a qualquer partido político. Força companheiro, força!