Zine Pasárgada
foi um Fanzine cultural e educacional que se propôs divulgar os mais diversos tipos de expressões artísticas e os mais variados assuntos.

O jornal Pasárgada teve 3 edições impressas e distribuídas na cidade de Piracicaba/SP e está guardado, junto com outras idéias, no limbo da falta de tempo e dinheiro.

O blog retomou a proposta do Zine e abriu espaço para diversidade de idéias e de expressões.

Hoje o blog acompanha o jornal e as atividades estão encerradas.

Foi uma grande satisfação ser um dos amigos do Rei.

Fábio

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quinta-feira, 22 de março de 2012

22 de Março: Dia Mundial da Água.



Desde o  ano de 1992, o dia 22 de março foi escolhido pela Organização das Nações como a data para representar o Dia Mundial da Água, com o objetivo de ampliar o debate sobre a utilização desse elemento fundamental a vida. Nesse mesmo ano, a ONU também  divulgou a "Declaração Universal dos Direitos da Água", apresentando uma série de reflexões e medidas práticas para resolver as problemáticas existentes em relação ao mal uso de tal recurso natural.

Água e Segurança Alimentar:

Eis o tema propostao para o ano de 2012, fazendo com que o dia Mundial da Água  tenha pretensão de debater sobre temáticas que vão além da questão da poluição e contaminação da água ou da gradativa dimunuição na oferta de água potável no planeta. Assim, a campanha também pretende fazer uma relevante reflexão sobre a necessidade de assegurar a população o acesso a uma alimentação nutritiva, utilizando produtos que fazem uso menos intensivo ou o desperdício de água. Clique aqui e veja um esquema muito interessante que mostra a quantidade de água utilizada no processo de preparação de alguns itens de consumo geral.

Declaração Universal dos Direitos da Água:

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Site da Campanha: http://www.diamundialdaagua.net  


quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Construção da Educação Brasileira Através da Pluralidade Cultural.


 
Pluralidade Cultural é um dos temas transversais propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN/MEC). Como a sociedade brasileira é formada por diversas etnias, a pluralidade cultural é um tema especialmente importante. O desafio é respeitar os diferentes grupos e culturas que compõem o mosaico étnico brasileiro, incentivando o convívio dos diversos grupos e fazer dessa característica um fator de enriquecimento cultural.

Abordar sobre a diversidade cultural existente do Brasil, é uma condição fundamental para a construção de um modelo educacional que tenha objetivos de edificar uma realidade social igualitária para o país. A sociedade brasileira é formada não só por diferentes etnias, como também por imigrantes de diferentes países, portugueses, espanhóis, ingleses, franceses, italianos, alemães, poloneses, húngaros, lituanos, egípcios, sírios, libaneses, armênios, indianos, japoneses, chineses, coreanos, ciganos, latino-americanos. Sem contar com a diversidade religiosa presente no espaço territorial brasileiro que abrange os católicos, evangélicos, batistas, budistas, judeus, muçulmanos, tradições africanas etc. Nesse contexto, o contato constante entre os mais diversos grupos culturais já é uma característica de nossa brasilidade. Porém, é valido ressaltar que, apenas reconhecer as diferenças regionais, culturais ou lingüísticas não é o bastante para a consolidação de um novo Brasil.

Ao nos referimos sobre o pluralismo cultural na educação brasileira, é de fundamental importância que, além de retratarmos as convivências entre as diferentes etnias e costumes existentes em nosso cotidiano, procure que o aluno também compreenda que o Brasil é formado por um amalgama cultural, portanto respeitar e valorizar essas culturas, também é uma forma de exaltar a riqueza cultural do próprio Brasil. Além disso, necessitamos refletir sobre a desigualdade e a exclusão social que ainda faz parte da realidade do país e que se agrava cada vez mais. Logo a crítica política se torna indispensável nesta abordagem científica.

Conhecer o pluralismo cultural pode-se dizer que é uma tentativa de romper com as desigualdades sociais e exclusão social que tanto faz parte do nosso cotidiano, devido ao processo de aculturação presente desde o inicio de nossa história. “Somos obrigados a reconhecer que as primeiras linhas de nossa brasilidade foram escritas com as tintas do desrespeito e da rapina”. (Antonio Mesquita Galvão). Pois bem, essa multiplicidade arraigada a historia cultural do país é um tema demasiadamente delicado, isso se dá, devido ao alto grau de adoção aos padrões europeus em nossa concepção de mundo e também a certos mitos que diz respeito a uma “democracia racial” no Brasil. Ora desde a “invasão européia nas terras tupiniquim” vários foram os projetos de imposição cultural estabelecido em nosso povo. Por isso que, reconhecer e respeitar não basta, precisamos aceitar que o pluralismo cultural está arraigado em todos nós. Somente assim, iremos negar toda essa mecânica de discriminação que tanto atrapalham o exercício da cidadania da população brasileira.

Para construirmos uma nova realidade, temos que contar com a elaboração de um plano educacional voltado para a constituição de indivíduos sociais, conscientes com o exercício da cidadania e comprometidos com padrões realmente democráticos. Como o próprio jornalista João Ubaldo Ribeiro afirmou: “O que nos falta é educação”. Para termos outra realidade, temos que mudar a principal matéria prima do Brasil, o povo. Temos que nos reconhecer como brasileiros, e principalmente temos que nos aceitarmos como realmente somos, ou seja, fruto de um amalgama cultural. Não somos índios, tampouco europeus, muito menos africano, somos brasileiros. E cabe ao brasileiro reconhecer isso.

Herdamos a língua portuguesa dos brancos, junto à organização social, jurídica e administrativa. O conhecimento científico e artístico e a religião judaico-cristã também foram aspectos que foi somado aos nossos princípios culturais, mas não foram somente a matriz branca que deixou legado cultural. Ao mesmo tempo em que estamos tão europeizados, muitos de nós, as vezes não querem notar as nossas facetas indígenas, que em nosso cardápio se manifesta com a mandioca, com o milho, com o guaraná; enfim, e o que dizer desses objetos: a rede de dormir, a esteira, cestos; e como podemos explicar o nosso vocabulário contendo algumas palavras de origem indígena como: abacaxi, amendoim, caju, jacaré, tatu, urubu. Paralelo a todo esse contexto, não se pode negar as nossas heranças provenientes das senzalas. Alimentos como a cocada, o pé-de-moleque, o vatapá, o acarajé, o caruru. Isso sem mencionar algumas palavras que citamos em nosso dia-a-dia: banana, caçula, xingar, fubá, moleque, cachimbo, cachaça.

Aceitar que somos brasileiros é a principal problemática que o presente estudo propõe. E para obter soluções fecundas, precisamos debater sistematicamente sobre os processos educacionais brasileiros, tendo em vista os parâmetros curriculares nacionais (PCNs), levando em consideração o tema: pluralidade cultural, a fim de buscar sobre tal abordagem teórica uma forma de adaptação na vida pratica do professor em sala de aula.

A escola é uma ferramenta de singular importância para problematizarmos a realidade cultural do Brasil, porém é relevante que devemos negar essa falsa idéia de que tudo está bem. Temos que ter consciência que silenciar sobre o fato do preconceito ao negro, ao índio ou ao estrangeiro prejudica mais do que ajuda, ora somente pondo a realidade em xeque que vamos poder nos movimentar para mudar tal realidade.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sobre as Instituições Acadêmicas.



Sabemos que o mundo, no início do século XXI, passou por grandes mudanças na realidade social: avanços dinâmicos na tecnologia, na informação, nas comunicações e na educação. Frente a tais modificações, o ensino superior já não é mais o mesmo que existia há algumas décadas atrás, haja vista a necessidade de um ensino dinâmico e universal. Mas, apesar de tudo, a instituição de ensino superior ainda representa patrimônio intelectual, independência política e crítica social. Porém, não podemos encarar agora o conhecimento como uma forma não perecível, uma vez que ele está sempre se modificando. Nesse contexto, é válido ressaltar que o academicismo deverá sempre está presente em nossas vidas.

A instituição acadêmica, desde seus primórdios, buscou a formação moral e intelectual dos cidadãos. Através de estudos sistemáticos, cultivo do saber e busca da verdade, o ensino superior consolida-se e transforma-se, sempre almejando responder aos desafios de cada período histórico. Somente com a vontade e com a vitalidade acadêmica, pode-se enxergar nitidamente o diálogo entre o antigo e a vanguarda, entre o clássico e o moderno, e principalmente, o encontro do entusiasmo do jovem estudante com a experiência dos eruditos. E assim sobrevive a instituição acadêmica, que vai desde a Academia de Platão e o Liceu de Aristóteles, passando pelas Corporações de mestres e alunos na Idade Média, pela diversidade de redefinições da Modernidade até chegar à Contemporaneidade.

Motivado pela vontade de saber, unindo discípulos e mestres pelas palavras, textos e diálogos fecundos, buscando soluções diversas, eis o admirável mundo acadêmico. Ora, participando de pesquisas em bibliotecas, mediando um confronto entre uma página e outra, a fim de obter respostas desejadas, ora na sala de aula, em uma interação maior entre professor e aluno, aprofundando-se cada vez mais, ora na construção de um trabalho metódico e sistematicamente orientado com vista a descobertas destinadas a deslocar as fronteiras do conhecimento.

Enfim, pensar no Ensino Superior é pensar em questões cruciais para os homens situados em suas diferenças históricas, sociais e culturais. Ou seja, é pensar em um mundo mais humano, mais justo e mais culto. Graças a essas características o ensino superior ainda é o atributo mais propício para a orientação do futuro da humanidade.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Dentro das Normas.

E aí, tudo bom povo?

Olha, eu venho dessa vez, compartilhar com vocês um link bem bacaninha pra quem tem uma monografia, uma dissertação, um projeto de graduação... essas coisas da vida acadêmica, por fazer.

O link é esse aqui!!



Essa semana eu entreguei a primeira etapa do meu projeto (feliz!), e ainda tenho a segunda (e mais complexa) parte por fazer, para me graduar no fim deste ano. Daí durante a construção deste, eu achei esse link bem legal, ele é dinâmico e facilitador para quem precisa seguir as normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, que pra quem já teve que encará-las alguma vez na vida, sabe que é chatinho. =x

Bom, é isso. Até mais, e espero que seja útil para alguns de vocês.
Beijo!

Eu to lá no Miudezas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

minha Escola

Hoje na pizzaria, conversávamos animadamente sobre acontecimentos na escola, sobre o ensino, sobre a educação...

Meus amigos presentes, perceberam que aprenderam muita coisa inútil, muita coisa que nunca colocaram em prática ou sequer se recordam.

Eu percebi que não aprendi NADA!

Porra, é triste pensar que, em 12 anos de vida escolar, o cidadão aprendeu a ler, escrever, somar, dividir, multiplicar e subtrair... e... e... que merda mais eu aprendi?

Pouts!

Lembro de pouquíssima coisa mesmo.

Será que meus alunos serão iguais?
Poxa, que frustração.


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me resta a satisfação de ter aprendido muito fora da escola.
há!


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satisfação

quarta-feira, 31 de março de 2010

Greve dos Professores no estado de São Paulo

Os professores de São Paulo estão em greve. Pedem melhorias nas condições de trabalho, pedem mais segurança e um reajuste salarial de 34%.

Por que?

São Paulo é o estado mais rico da Federação. A segunda maior arrecadação do país, ficando atrás somente da União, o governo Federal.
Em contrapartida, é o estado com os piores resultados na educação básica.
É o estado que paga o menor valor hora/aula para os professores de ensino fundamental 2 e médio.
Tem salas lotadas, com até 60 alunos, e há, desde algum tempo, uma política de redução de salas e fechamento de escolas (os governos Alckimin e Serra fecharam cerca de 50 escolas estaduais).
Está sendo colocada em prática a municipalização da educação básica, onde o governo abre mão de qualquer responsabilidade sobre a educação, apenas repassa as minguadas verbas para os municípios e deixa esses com o rojão.

Qual o resultado disso a curto, médio e longo prazo?

Um estado sem educação é um estado submisso, derrotado e sem futuro.
São Paulo já deixou de ser o estado que mais cresce.
Percentualmente, SP já tem produção e economia menores que de Pernambuco (chamado por alguns de nova locomotiva do Brasil).
Professores trabalhando demais, estressados, cansados e improdutivos.
Alunos, percebendo essas situações, ficam desatentos, desinteressados, (por que não?) até violentos.
Com a municipalização, haverá uma disparidade entre os municípios. Educação diferenciada de cidade em cidade. Mais do que isso, o governo pretende desestruturar o sindicato, acabará com a mobilização estadual, pois cada cidade terá sua política educacional, o governo do estado estará isento.

O que tem sido feito?

NADA.
Existem mentiras e medidas, que apenas intensificam os problemas já citados.
José Serra mente quando fala das bibliotecas nas escolas, que permanecem desatualizadas.
Mente quando fala que, no ensino fundamental 1, o estado de SP tem dois professores por sala.
Serra mente quando fala a respeito dos computadores e da internet em todas as escolas.

Há a progressão automática, que há 12 anos corrói a educação paulista e não é sequer discutida pelo governo estadual.
Há truculência e desmandos, há milhares de professores trabalhando sem concurso.
Há medidas enganosas, como bônus, que servem para enganar e mascarar a falta de reajuste.
Há desprezo pelos professores aposentados, que não são incluídos nas políticas de benefícios.
E agora, há um plano de carreira, em que o professor deverá trabalhar por mais de 100 anos, se quiser atingir o topo.

GREVE!
Justa e necessária.


Os professores, legítimos em suas manifestações, estão sendo acusados de manipulação política. Dizem os jornais paulistas e as redes de TV, que a greve (garantida na Constituição) é eleitoreira, para atacar o governador, candidato, José Serra.

Esquecem eles que, no ano passado houve greve, sem nenhum avanço. O que dizer disso?
Esquecem eles que, já em outras anos eleitorais, havia a destruição da educação paulista. São pelo menos 15 anos de desmonte e descaso com a educação no estado, e José Serra conseguiu superar a todos os antecessores, demonstrando intransigência que, se já vista igual, talvez apenas com Mário Covas.

Como resolver?

O governador José Serra se recusa a negociar com os professores.
Não recebe representantes da greve.
Se o governador negociasse, cedesse, a greve acabaria. Acabaria a "pressão eleitoreira" que eles apontam. Mas por que não negocia? Por que não conversa com o movimento de professores?
Mais de 50% dos professores de SP estão parados e o governo diz que o movimento de greve é um fracasso. Não reconhece a greve.
Em cada assembléia os professores reúnem milhares de professores nas ruas. Para diminuir isso, o governo Serra manda seus policiais fazerem barreiras em estradas, para impedir a chegada de ônibus com professores nos locais dos protestos.
Está colocando agentes infiltrados nas assembléias e policiais à paisana nas manifestações, para espionar e provocar distúrbios.

Como o governo de José Serra está lidando com o problema?

Algo parecido com o que faziam os governos militares nos anos negros do nosso país.
Resolvem com força policial.
Líderes políticos, sindicalistas, professores aposentados, professores em atividade: todos tratados como bandidos. Tratados à bala e na base da porrada.
É essa a solução de José Serra para a educação paulista.













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ele quer ser presidente do país!
Não será!
José Serra, o bandido é você.
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Força companheiros, a luta continua, o inimigo é o mesmo.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Não existe Aquecimento Global

Para provocar o debate vou reproduzir uma entrevista do Prof. Molion, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas, principal defensor e estudioso do "Esfriamento Global", que foi publicada no UOL ciência no final do ano passado:

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"Não existe aquecimento global", diz representante da OMM na América do Sul
Por Carlos Madeiro Especial para o UOL Ciência e Saúde


Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos.

Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: “perder meu tempo?” Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O meteorologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.

UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.

UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.



UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.

UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.

UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.

UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.

UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.

UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.

UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.

UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões?Não vai mudar absolutamente nada no clima.

UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que “abana o rabo” para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.

UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.

UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.

UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.

UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.

UOL: O senhor viu algum avanço com o Protoclo de Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.

UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.

UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

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e vai também o vídeo do Vulcão Piñantudo, feito pelo professor Herbis (contato dele no vídeo), que é auto explicativo:


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Pra quem quiser baixar um dos ótimos textos do Professor Molion e saber mais do assunto, é só clicar aqui.

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uma aquecida satisfação.

domingo, 21 de setembro de 2008

Fundão MTV

é um programa sujo e tosco,
é engraçado,
é apresentado pelo João Gordo...
pouts é ótimo!

e na verdade... é o mais próximo da realidade educacional brasileira.
e foda-se o SOLETRANDO!
satisfação.

sábado, 23 de agosto de 2008

Prêmio Educador Nota 10 (parte 3)

O Jornal de Piracicaba publicou nesse sábado uma matéria muito legal sobre minha participação no Prêmio Educador Nota 10. Na capa grande destaque e foto com os estudantes que participaram da criação do jogo.

eis a cópia da capa (baixa qualidade mas é só pra ilustrar mesmo), segue o link e o texto colado abaixo.

http://www.jornaldepiracicaba.com.br/capa/default.asp?acao=viewnot&idnot=19987&cat=97


Professor é destaque do Educador Nota 10
A dificuldade dos alunos da 7ª série do ensino fundamental em entender a existência de vários pólos de poder mundial e sua atuação motivou o professor de geografia Fábio Paiva da Coopep (Cooperativa Educacional de Piracicaba), a desenvolver um método de ensino diferenciado, eleito entre os 50 melhores do país pela Revista Escola, na premiação Educador Nota 10. Os alunos participaram ativamente da metodologia formando grupos, na elaboração de uniformes e na discussão em sala de aula. Paiva considera a colocação como uma vitória. “Se pensarmos que fui indicado para os prêmios de 2007 e 2008 e que os trabalhos de geografia inscritos não passaram de quatro, estou muito satisfeito.”

A matéria que aborda a Guerra Fria e relaciona com a dominação atual dos pólos geopolíticos, foi simplificada em um jogo de tabuleiro elaborado com uma placa de isopor, cartas e botões. “Os alunos que pintaram o mapa mundi, destacando os principais países envolvidos como Estados Unidos da América, Japão e a União Européia. Usamos materiais disponíveis aqui na escola como estes botões coloridos e as cartas nós tiramos cópias e montamos.”

Para jogar, os alunos precisam entender o objetivo que é a conquista de territórios, com infinitas possibilidades, a conquista de continentes ou a destruição de um exército inimigo. “Ganha o jogo quem primeiro cumprir o seu objetivo. Os jogadores têm que armar sua estratégia e em cada rodada realizam três ataques.”

Segundo o professor, o processo é comentado e discutido em um debate final, no qual é realizado uma redação conjunta de uma relatório de avaliação. Para Paiva, o método de aprendizagem é muito eficaz. “Ficou claro que no decorrer do trabalho os estudantes já demonstravam a percepção dos desequilíbrios que os pólos de poder causam no jogo geopolítico, e isso foi inserido no texto.”

Para Julia Baldi Vieira, 13, uma das alunas que defendeu o socialismo durante o trabalho, a atividade proporciona um entendimento mais rápido da matéria. “Eu gostei do jogo porque a gente aprende sobre esta situação que estamos vivendo hoje.” Já Gabriel Galvão de França, 13, do grupo capitalista, afirmou que gostou da atividade desenvolvida. “O jogo trouxe mais conhecimento para nós. De um modo geral acredito que o capitalismo é melhor, porque no socialismo todo mundo tem que dividir igualmente as coisas.”

Entenda o jogo – Cada país tem uma carta equivalente e essas cartas são distribuídas entre os jogadores que colocam uma pedra (exército) em cada país. Além dessas existem também as cartas de objetivos que determinam à atuação de cada um. Todos os jogadores retiram uma carta de objetivo, que diz qual a missão do jogador na partida. Ganha o jogo quem primeiro cumprir seu objetivo.

sábado, 16 de agosto de 2008

Prêmio Educador Nota 10 (parte 2)

O jornal "A Tribuna Piracicabana" publicou hoje uma matéria legal sobre minha participação no Prêmio Educador Nota 10. O texto vai colado aqui e o link da matéria é http://www.tribunatp.com.br/modules/news/article.php?storyid=884


Cidades : Geopolíticas nos tabuleiros de War.
Jogo da Grow serviu de base para o professor Fábio Paiva ensinar as relações de forças internacionais. Trabalho o colocou entre os 50 melhores do país em concurso

Pelo segundo ano consecutivo, o professor de geografia da Cooperativa Educacional de Piracicaba, a popular Coopep, no bairro Dois Córregos, foi selecionado pela revista Nova Escola, da editora Abril, entre os 50 melhores do Brasil dentro do concurso Educador Nota 10, em que participaram cinco mil candidatos.

Inspirado pelo War – jogo da estratégia (versão clássica - Grow), Fábio criou sobre o mapa mundi, ou melhor, sobre um tabuleiro, algumas regras para a construção do que ele chama de ‘pólos de poder’. Levando em consideração informações históricas, os alunos de sétima série despertaram para a geopolítica e passaram a perceber o movimento das nações para se fortalecer no cenário global, que reproduzem nas jogadas. Mesmo conquistando países periféricos, os jogadores precisam de muita sorte quando enfrentam os pólos de poder, uma vez que, no jogo, eles têm peso muito superior e desequilibram a jogada.

Em sua argumentação à revista, Paiva observou que os alunos tinham dificuldades para entender a multipolarização do mundo, tendo como referência a Guerra Fria, quando havia apenas dois pólos de poder – EUA e URSS. Para ele, o jogo se tornou uma “alternativa de demonstração da estrutura geopolítica de maneira simples e objetiva, que representa o desequilíbrio das forças de países no cenário atual”. No entender de Paiva, poder militar, econômico e cultural são alguns dos ingredientes que compõem a grandeza das nações e pesam no jogo. A denominação de regiões, representada pela cartografia “etnocêntrica”, é vista pelo professor como um dos pilares da manipulação ideológica e distorção de informações que fortalecem a manutenção do poder nas mãos dos países ou blocos dominantes.“Anteriormente os estudantes trabalharam os conteúdos referentes ao Socialismo, Capitalismo, Guerra Fria e desenvolvimento do Capitalismo pós-Guerra Fria, chegando aos conteúdos relativos à Globalização. Comparado ao cenário geopolítico da Guerra Fria, apresentei aos estudantes o panorama atual onde existem diferentes pólos de poder (Europa, EUA e Japão) nos campos econômico, político e militar”, explica. China, Índia, África do Sul e Brasil entram na história do War pedagógico como novíssimos pólos de poder. Com dados dessa natureza, os alunos conseguem fazer a passagem histórica sem dificuldades e percebem o peso da interferência das nações desenvolvidas.

Fica evidente no trabalho o olhar ideologizado e maniqueísta do professor, que pode ser sintetizado pelo que ele descreve na apresentação à revista: “Realizamos um debate sobre o poder de cada um desses pólos e a influência que exercem em nosso país e no cotidiano dos estudantes, quando os estudantes concluíram que o pólo mais influente no nosso país é o EUA, seguido pelo Europeu e o Japonês, respectivamente. Constatamos a existência da influência cultural e econômica dos Estados Unidos através da TV, do cinema e da moda, além de outras apropriações como festas e alimentos (Hallowen e Fast Food)”.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Prêmio Educador Nota 10




Mas uma vez fiquei só no "quase"...

A revista Nova Escola realiza todo ano o Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10.

Trabalhos realizados em sala de aula são enviados dentro de padrões estabelecidos pelo concurso e são avaliados para receberem prêmios. Na semana do professor, em outubro, realizam palestras e uma festa para a entrega dos troféus.

Em 2007 foram mais de 3000 inscritos e o meu trabalho ficou entre os 50 finalistas.
Nesse ano foram mais de 5000 inscritos e novamente meu nome está entre os 50 melhores.

Desses 50 melhores trabalhos eles selecionam 10 que são considerados como "educadores do ano". Eu não estou entre esses.

Eu fiquei decepcionado, mas vamos "tocar o enterro" e levar a vida. O trabalho ficou muito legal e me orgulho dele.

Amém!





quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Audiência Pública

"Os desafios do FUNDEB e os avanços do Plano de Desenvolvimento da Educação"
Convidada Especial: Iara Bernardi (Relatora do Fundeb e representante do MEC)
Dia 13 de Novembro - 19h30
Plenário da Câmara de Vereadores de Piracicaba
Rua Alferes José Caetano, 864 - Centro.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Feira do Livro




A Secretaria Municipal de Ação Cultural promove a partir de hoje a Terceira Feira Municipal do Livro, no Centro Cultural da Estação da Paulista.




A Feira é organizada pela Biblioteca Pública Municipal e conta com a participação das Livrarias de Piracicaba, Sebos e do Café das Artes.




Haverá exposições, sarau, teatro infantil, música, poesias, teatro de fantoches, contadores de histórias, contos, conversas com autores, lançamento de livros, entre outras atividades.




A Feira fica aberta até o dia 28 (Domingo) e no final de semana haverá um ponto de distribuição do Zine Pasárgada no evento.


quarta-feira, 10 de outubro de 2007

15 de Outubro: Dia dos Professores

O Dia do Professor teve início a partir do Decreto Imperial de Dom Pedro I, que criou a Lei Geral sobre Ensino Elementar no Brasil, em 15 de outubro de 1827. Foi este decreto que definiu as disciplinas “fundamentais” ao ensino da época e que contemplou em seu artigo 3º, que os “ordenados” dos professores deveriam ser “taxados” entre duzentos mil reis e quinhentos mil réis anuais – o que, estimativamente, de acordo com o economista Antônio Luiz Monteiro Coelho da Costa, especialista em cotação de moedas, corresponderia, nos dias atuais, a cerca de R$ 8.800,00.
Sabemos que esta não é, nem de longe, a realidade dos milhares de professores brasileiros. Segundo dados oficiais do Ministério da Educação, mais de 65% dos docentes recebem menos de R$ 650,00 por mês. O salário médio mensal do professor, de acordo com o senso do Ministério de Educação é de aproximadamente R$ 1.500,00 nas escolas federais, R$ 900,00 nas particulares, R$ 600,00 nas estaduais e cerca de R$ 400,00 nas municipais.
Mas ainda há muitos motivos para celebrarmos esta data. Talvez não comemorar, porque as políticas públicas voltadas à educação ainda não são uma prioridade para os governos. No estado de São Paulo, por exemplo, o veto do governo ao aumento de 1% no orçamento da Educação, frustrou as expectativas de investimentos nas Faculdades de Tecnologia, nas Escolas Técnicas, nas instituições de ensino superior. Não fosse a força do Sindicato dos Professores (APEOESP) e o empenho dos parlamentares comprometidos com a educação de qualidade e com os servidores públicos, o Palácio dos Bandeirantes teria conseguido aprovar o Projeto de Lei Complementar 26/2005, que permitiria, entre outros itens, a demissão de mais de 120 mil professores admitidos em caráter temporário (ACT).
As professoras e professores de todo o Brasil têm consciência do papel que exercem na formação educacional, cultural e política da sociedade brasileira. Sempre estiveram presentes nos momentos mais importantes da história do Brasil. Estiveram presentes em todas as lutas do nosso povo.
O Dia 15 de Outubro simboliza o respeito que os educadores têm da sociedade brasileira. Incrível como o povo reconhece o valor de quem leciona, de quem ensina, de quem educa. Pena que a falta de reconhecimento da grande maioria dos gestores públicos não transforma esse respeito da população em unanimidade.
O Dia dos Professores nos serve a todos como uma valiosa oportunidade para a reflexão. Por qual motivo se reduzem verbas da educação e não se remuneram dignamente os professores? Por que ainda milhares e milhares de brasileiros mal sabem escrever o próprio nome? Qual a razão para se fechar escolas e salas de aula se ainda há tanta gente que dorme nas filas para matricular suas crianças? Eis um grande paradigma.
Há um longo e tortuoso caminho a ser trilhado para que o Brasil consiga superar as mazelas e curar suas profundas feridas sociais. O legado de Paulo Freire nos orienta a continuar lutando, acreditando e sonhando com a perspectiva de transformação social através da educação. E é assim, cheios de esperança e orgulho que prestamos nossa homenagem e o nosso respeito a todas as professoras e a todos os professores que exercem uma das mais bonitas atividades da humanidade. Parabéns!

Roberto Felício (PT) é professor e deputado estadual de Piracicaba.

domingo, 16 de setembro de 2007

Matemática no Ensino Fundamental

O que é fundamental aprender?

Em muitas escolas hoje, a matemática continua sendo um bicho de sete cabeças. Regras e técnicas operatórias, bem como um vocabulário muito específico são apresentados muito cedo às crianças, ocupando o lugar que poderia e deveria ser dedicado ao desenvolvimento do raciocínio, ao levantamento de hipóteses, troca de idéias, negociações e debates em sala de aula.

Para somar ou subtrair números com dois ou mais algarismos, por exemplo, é ensinado às crianças as regras do “vai 1” e “empresta 1”, que, sem poder compreende-las, cometem vários tipos de erro, demonstrando que seu esforço mental concentra-se muito mais em tentar lembrar cada passo da técnica, do que em buscar uma solução coerente para o problema. Muitas considerações poderiam ser feitas aqui, mas o que queremos marcar é que a grande maioria das crianças que erra numa situação como essa, o faz porque raciocina e está buscando compreender algo. Além disso, quando têm permissão de “fazer a conta na cabeça”, ou seja, de criar procedimentos próprios de resolução, elas acertam!

As crianças chegam à escola com um potencial enorme de raciocínio, curiosas e sedentas por conhecer, investigar e aprender com seus professores e colegas. Conforme a escola vai impondo-lhes técnicas e fórmulas matemáticas inquestionáveis, essa curiosidade investigativa vai cedendo lugar àquilo que muitos chamam de “preguiça mental”. A obediência cega às regras sociais leva o estudante a desistir e desacreditar de si próprio.

Cabe aos educadores desenvolver esse potencial, sejam eles pais ou professores. Se tivermos como objetivo maior, a formação de cidadãos, ou seja, de indivíduos autônomos, coerentes, criativos e críticos, que tenham opinião própria e respeitem seus pares, é preciso encorajá-los a expressar-se e a pensar sobre o que fazem, dentro e fora das aulas de matemática.

Marta Rabioglio