Zine Pasárgada
foi um Fanzine cultural e educacional que se propôs divulgar os mais diversos tipos de expressões artísticas e os mais variados assuntos.

O jornal Pasárgada teve 3 edições impressas e distribuídas na cidade de Piracicaba/SP e está guardado, junto com outras idéias, no limbo da falta de tempo e dinheiro.

O blog retomou a proposta do Zine e abriu espaço para diversidade de idéias e de expressões.

Hoje o blog acompanha o jornal e as atividades estão encerradas.

Foi uma grande satisfação ser um dos amigos do Rei.

Fábio

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Melhor pros três

Clássico é clássico e tem que ser respeitado.

Eu sou do interior do Paraná, onde o sertanejo impera absoluto. 95% da população acha quase inaceitável ouvir outro estilo de música, e isso é quase literalmente. Desde os clássicos até a popização (neologismo pra representar a transformação em pop. Popularização não representaria o sentido exato que quero expressar) dos anos 90 até o sertanejo universitário. Sendo sertanejo, tem o aval do povo. É triste, mas a gente aprende. Clássico não se torna clássico a toa. Quem nunca cantou Boate Azul nunca teve um porre de verdade.
No começo, final da década de 20, a música sertaneja eram causos da vida caipira, como as viagens com gado, a dura vida do campo e até quando um suposto pequeno se sobressaia sobre um grande fazendeiro.
Logo depois, num período pós 2º guerra mundial, décadas de 50 e 60 principalmente, as influências dos mariachis, bolero e do brega (vale lembrar aqui o GRANDE Waldick Soriano, que compôs da lindíssima Tortura de amor até o simbolo maior do brega Eu não sou cachorro não, passando pela inúmeras vezes gravadas por cantores sertanejos e simbolo maior das jukebox das casas de tolerância (dizem, pelo menos), Dama de Vermelho), veio os grandes clássicos que se aproximam do ultra-romantismo.
Esses clássicos sertanejos tem uma grande vantagem. Eles assumem as tristezas do amor de uma forma explícita, que acaba tornando a música autêntica, diferente dessa tristeza velada dos mais modernos. Não há corno mais corno no mundo do que o Eu lírico da música Na hora do adeus, composta por Carlos Colla (compositor tal que teve músicas gravadas também por Erasmo Carlos e até Legião Urbana), gravada por Mato Grosso e Mathias, assim como não há viúvo mais solitário que aquele de Vestido de Seda, famosa nas vozes de Teodoro e Sampaio (que hoje em dia é a dupla com mais capacidade pra dar vergonha alheia no mundo).
Logo após vieram as grandes influências do pop. Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, João Paulo e Daniel, Bruno e Marrone entre tantas outras. O começo do fim. Chitãozinho e Xororó ainda mantiveram uma raiz, percebida por fio de cabelo e outras já com uma pegada mais pop, mas ainda com uma influência maior do passado sertanejo, como Brincar de ser feliz e Evidências.
Então surgiu o tão aclamado sertanejo universitário, que eu prefiro me conter no comentário que alguns deles regravaram bons clássicos.




* Se você não gostou desse post, não ouça nenhuma música. Infelizmente, isso aqui no interior do Paraná não é uma opção. O sertanejo é literalmente onipresente aqui.
* Tem até os tem-gente-mais-emo-que-a-gente Fresno nessa história. Culpa da coca-cola zero.
* Chrystian, do Chrystian e Ralf e Hudson, do Edson e Hudson são famosos por preferirem o rock ao sertanejo, como no vídeo. Mas a fome aperta...
* Pelo menos agora ninguém pode falar que esse blog tem qualquer tipo de preconceito.
* Você pode até não gostar. Mas se tivesse levado um chifre e estivesse bêbado, iria ver que as músicas se tornariam muito mais atraentes.

@proparoxitono

Um comentário:

Fábio disse...

Já cantei boate azul inúmeras vezes... e, dizem mesmo que nas casas de tolerância rola mta coisa desse post, vai saber né?

ehehe

Mto bom!
Interior de SP é infestado por tudo isso e eu gosto dos clássicos tbm... Tonico e Tinoco, Craveiro e Cravinho, Pena Branca e Xavantinho... só pérolas.