Zine Pasárgada
foi um Fanzine cultural e educacional que se propôs divulgar os mais diversos tipos de expressões artísticas e os mais variados assuntos.

O jornal Pasárgada teve 3 edições impressas e distribuídas na cidade de Piracicaba/SP e está guardado, junto com outras idéias, no limbo da falta de tempo e dinheiro.

O blog retomou a proposta do Zine e abriu espaço para diversidade de idéias e de expressões.

Hoje o blog acompanha o jornal e as atividades estão encerradas.

Foi uma grande satisfação ser um dos amigos do Rei.

Fábio

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

um pouco de poliamor

Um esboço, ou melhor, uma introdução - totalmente pessoal - ao poliamor:


Me aflinge que a idéia de amor - somente idéia, pois de fato ninguém o consegue definir de forma concreta - também por ser um conceito abstrato - ande tão junta daquilo que se chama de ciúmes. O enciumar acontece a partir do momento em que a atenção que cremos que deveria ser nossa passa a ser de outro. Mas é uma crença boba. Ciúmes está diretamente ligado com posse, percebe? Tendemos a acreditar que quando sentimos afeto por alguém, o alvo do afeto se torna pertence nosso. É essa idéia que deve ser desconstruída. Um carinho sincero, sem obrigações, sem cobranças, espontâneo como deve ser é muito mais honesto e consegue se aproximar muito mais de uma idéia de relação saudável - coisa que os românticos vivem dizendo almejar.

Ninguém é de ninguém, é impossível controlar a afetividade - que está ligada a também emoções que não se concretizam - de forma plena. Desse modo, relaçõeS saudáveiS, concomitantes, se tornam possíveis a partir do momento que abrimos mão de nossa possesão, essa mania de querer demais aquilo que nunca será alcançado - expectativas realizadas através de exclusividade sentimental e entrega amorosa total. Sem opressão, sem possessão, com a única cobrança sendo a transparência e o respeito, assim! E tudo me indica que respeito se aproxima muito mais de liberdade do que de ardência em ciúme.

Acho que estou me tornando livre. E percebendo que os outros também o são.
No fim, ninguém é de ninguém, não é mesmo? 

*

 Depois de tanto tempo sem aparecer por aqui, me reapresento. Meu nome é Julia, sou feminista, poliamorista e dona de uma espiritualidade incerta. Não odeio homens, creio em relações monogâmicas (é... rs) e não sou satanista. Obrigada, e terei prazer em conversar com qualquer um que se interesse pelos assuntos em pauta =)
 Beijo!




http://meusfigos.blogspot.com

7 comentários:

Fábio disse...

vc é lésbica?
AUIAHAOIUHAOIUHA

Ju, o conceito de amor que temos hoje é moderno... ou seja, foi criado no máximo um pouco antes da Revolução Francesa...então nem mesmo a gente sabe ainda o que é isso... (assim como não sabemos oq é Liberdade, nem Igualdade, e muito menos Fraternidade...temos só uma leve ideia, além de ter só uma leve ideia do que é humanidade).

Ciúmes é possessão, assim como é tbm o sentir falta, o sentir apego, o sentir medo... todas coisas humanas!
Sentir ciúmes da mãe, do pai, do livro favorito ou da música que é "sua"... não precisa ser posse, não precisa ser violento ou excludente, mas pode ser vivido sim!

eu acho!

bjos gatinha!
=*

Julia disse...

fá,
mas é EXATAMENTE isso. o que vc disse legitima, pra mim, ainda mais o meu ponto de vista.

como voce disse, o conceito de amor que temos hoje é moderno. ou seja, o conceito de amor é algo mutável. sendo assim, nao precisamos viver presos pela idéia de amor romântico (inclusive de onde veio essa coisa de exclusividade sentimental...)

ciumes é um sentimento como qualquer outro, que não pode ser imediatamente controlado, porém é formado a partir de nossa cosmovisão. a forma como sentimos e agimos diante de determinadas situaçoes depende muito do que acreditamos... sendo assim, nao consigo deixar de crer que essa coisa de ciumes possa ser desconstruída (seja em relaçao ao parceiro, ao pai, mae, livro etc).

e, óbvio, é um sentimento que pode ou nao ser externado. nao é pq vc sente ciumes que tem que demonstrar isso, de modo a querer privar outrém de algo hahahaha

mas nao deixo de crer que, quando há um acordo mútuo, e os dois estao dispostos a abrir mao de certa "liberdade", da sim certo viver um relacionamento monogamico. mas também nao deixo de crer que nao é algo necessario essa exclusividade =)

Fábio disse...

é que eu sinto ciúmes até do "meu" lugar do ônibus...mas eu vivo feliz! ahahahaha

bárbara disse...

Tem uma música do Raul Seixas que fala sobre isso, da não exclusividade no amor, chama A Maça.
Acredito que essa ideia de amor exclusivo é uma construção, e como tal pode ser desconstruída. Assim como você disse, esse pensamento de que quando sentimos afeto por alguém, o alvo do afeto se torna pertence nosso. :) muito bom seu texto, parabéns!

Txatxismantiskiana disse...

Concordo, inclusive certa vez escrevi algo sobre isso "fidelidade forçada uma grande deslealdade", ou algo assim...
mas este é um modelo de amor que só funciona quando não se está apaixonado e quando os dois concordam. Porque se estiver apaixonado, ihh... querida, tanto ele quanto ela nem vão pensar que um dia falaram sobre isso, e se os dois não concordarem é muito mais fácil continuar no modelo tradicional de amor mesmo, menos desgaste mental e emocional para o relacionamento. Apesar de acreditar nisso tudo, eu acredito que quando se gosta de alguém e este alguém gosta de você vale a pena nos absertemos desse poliamor.Já que acredito eu, se relacionar com uma pessoa já tras conflitos, com mais de uma nem se fala e seria de certa forma uma maneira de demonstrar carinho e dedicação pela pessoa que abriu mão de ter quem fosse para ficar com você. Ohh comentariosinho iludido esse o meu hein? ahauhauah Mas eu acredito mesmo nisso, mesmo que talvez na prática as coisas não sejam bem assim. :)

Txatxismantiskiana disse...

Maldição meu comentário foi apagado quando enviei...¬¬
Bom, repetindo o que eu falei antes.

Concordo com o que foi dito, mas este é um modelo que só funciona em situações muito especificas:
1ª) Quando não há paixão: Porque se tiver, esqueça, foge de qualquer explicação racional, Haverá ciúmes e ponto final, mesmo que a pessoa concorde com esse modelo, ela vai fingir que nunca pensou sobre o assunto e ter todos os excessos que qualquer apaixonado tem. E se não tiver, não está apaixonado.
2º) Quando ambos concordam: Se só um pensa assim, não tem a mínima possibilidade de ter um relacionamento com dois modelos de execução. Um com exclusividade e outro com nenhuma exclusividade, é briga, discução, choro e mágoa. Definitivamente, não rola.

Embora eu acreditar neste modelo, eu acredito também que quando se está com alguém que você gosta e que gosta de você vale a pena se abster deste poliamor e se dedicar a penas essa pessoa. Já que eu vejo isso como forma de demonstação de carinho e dedicação.
Afinal essa pessoa abandonou potenciais relacionamentos simultaneos para estar com você, porque você não pode fazer o mesmo para ela?

Pode até ser que na prática as coisas não funcionem assim, mas eu acredito nisso mesmo, vou fazer o que? Gente iludida é assim mesmo, acredita em cada besteira huahauhauha

Tabuh Paz disse...

Putz, eu ADOREI esse post e a discussão, é muito a minha cara! Hahahah! Eu sempre me senti um cara livre demais para me "prender" a uma pessoa. Até que apareceu uma pessoa tão maravilhosa... Mas não nos prendemos. Nós viramos companheiros. Nós não somos tampa e panela, sandália velha e pé descalço, metades de laranjas. Somos dois que querem ser INTEIROS e apenas se complementarem. Claro que esse exercício não é fácil, pior ainda quando consideramos a herança que recebemos da sociedade, os modelos sexistas normatizadores, etc etc etc. Mas é isso. Ninguém é de ninguém, eu sou meu e não me divido, mas posso somar com um outro... ou com outros! hahahah Beijos, crianças!