Zine Pasárgada
foi um Fanzine cultural e educacional que se propôs divulgar os mais diversos tipos de expressões artísticas e os mais variados assuntos.

O jornal Pasárgada teve 3 edições impressas e distribuídas na cidade de Piracicaba/SP e está guardado, junto com outras idéias, no limbo da falta de tempo e dinheiro.

O blog retomou a proposta do Zine e abriu espaço para diversidade de idéias e de expressões.

Hoje o blog acompanha o jornal e as atividades estão encerradas.

Foi uma grande satisfação ser um dos amigos do Rei.

Fábio

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sexta-feira, 9 de março de 2012

Sexo feminino, sexo forte





[Esta postagem deveria aparecer ONTEM, mas depois de duas tentativas frustradas, por algum problema técnico, não consegui publicar. Por isso segue hoje... antes tarde do que nunca...]
 
Hoje é dia internacional da mulher, então resolvi passar por aqui para deixar minha singela homenagem ao SEXO FORTE. 

Whait WHAT? Simmm! Eu como HOMEM com H Maiúsculo admito: somos o sexo frágil! 

Afinal, o dito macho forte cresceu ouvindo que "Homem não pode chorar", que deve esconder seus sentimentos, e será que não é também isso um tipo de repressão? 

O fato é que as mulheres cresceram suportando preconceitos muito maiores, dores muito mais sérias (são elas que sofrem as dores de parto, lembram?), são vistas como inferiores até hoje na interpretação da maioria das maiores religiões, ganham menos que os homens, menstruam todos os meses, se depilam, andam de salto alto, e estão ai, firmes e fortes, revolucionando o mundo e tomando seu lugar, antes roubados pelos machistas. 



Faço aqui uma homenagem a uma personagem que descobri essa semana. Ela se chamava Dionísia Gonçalves Pinto, e usava o pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta. Nasceu no Rio Grande do Norte em 1810, foi pensadora, escritora, poetisa, educadora e militante feminista. Essa mulher rompeu com a luta por uma causa própria e a estendeu a diferentes grupos minoritários, como índios, negros e escravos.
Casada aos 13 anos, fugiu do casamento e teve de carregar o estigma de “desquitada” a partir daí. Aos 22 anos, publicou um livro que revelou sua precoce maturidade, chamado “Direitos das mulheres e injustiças dos homens”. 

Fiquei espantado com sua biografia e recomendo que todas e todos vocês procurem por mais informações sobre essa heroína. Entre suas reflexões, tive acesso a frases magníficas sobre a condição de mulher frente à supremacia machista. 

Separei duas de suas frases:
“Se cada homem (...) fosse obrigado a declarar o que sente a respeito de nosso sexo, encontraríamos todos de acordo em dizer que nós nascemos para seu uso, (...) reger uma casa, servir, obedecer e aprazer aos nossos amos, isto é, a eles homens.”  (...) “Se este sexo altivo quer fazer-nos acreditar que tem sobre nós um direito natural de superioridade, por que não nos prova o privilégio, que para isso recebeu da Natureza, servindo-se de sua razão para se convencerem?” (Em “Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens”, 1832.)

Finalizo com minha gratidão, e o desejo de que as diferenças entre os gêneros sejam apenas biológicas, e não mais discriminatórias, agressivas e degradantes. Viva a mulher casada, mãe de família. E viva a mulher casada sem filhos, a mulher solteira com filhos, a mulher livre, a mulher dona de si!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A medicalização excessiva na sociedade contemporânea

Minha postagem de hoje é uma extração do meu projeto de pesquisa sobre a medicalização excessiva na sociedade contemporânea. Este escrito consiste na revisão da literatura a respeito do assunto, e embora pareça algo muito teórico ou massante, achei legal trazer essa discussão para o blog, pois acredito que muitas pessoas possuem opiniões diversas sobre isto.
Todos os direitos reservados! (rs)



A medicalização excessiva na sociedade contemporânea

                       A farmacologia surgiu como uma ciência que estuda substâncias químicas que interagem com os sistemas biológicos. O grande objetivo dessa ciência era descobrir e produzir medicamentos onde o sofrimento ou alterações físicas fossem amenizados ou em muitas vezes, erradicados. Com o decorrer dos anos e como toda ciência, a farmacologia foi crescendo e se aprimorando junto com a biomedicina. Hoje a farmacologia se constitui numa grande indústria que produz milhões de medicamentos mundialmente, e atinge pessoas de todas as classes e com todos os tipos de patologias.
     O avanço dos fármacos caminha paralelamente com o avanço das patologias recentemente diagnosticadas, ou seja, a cada aumento e ampliação de diagnóstico, um medicamento novo é produzido para atender essa demanda. Sendo assim, hoje a indústria farmacêutica disponibiliza muitos remédios que são acessíveis à sociedade.
     A partir da facilidade no acesso aos medicamentos e a alta prescrição médica que vem acontecendo também nos dias de hoje, fazer uso de um medicamento ou comprá-lo, se tornou maneira fácil, rápida e as vezes até mais econômica de extinguir ou amenizar um sofrimento físico ou até mesmo psicológico.
     A banalização do diagnóstico e da busca pela descoberta pela causa de uma doença, também ocasiona numa medicalização desenfreada na sociedade, e a prescrição médica se torna algo apenas automático e não empático, onde se busca saber a cessação de um sintoma e não se investiga o sofrimento de um paciente e quais suas causas:

          “Ao viver em uma sociedade que valoriza a anestesia e a sedação de sintomas, o médico e seu cliente aprendem a abafar a interrogação inerente a qualquer dor ou enfermidade: O que é que não anda bem? Por quanto tempo ainda? Por que é preciso? Por que eu? Qualquer médico sincero sabe que, se ficar completamente surdo à pergunta implícita na lamentação do paciente, pode até reconhecer sintomas e fazer diagnósticos corretos, mas não compreenderá nada do sofrimento dele. (Tesser, 2006)”

                            Notável perceber, nauseado é bem verdade, que exames complementares
supostamente anormais são a pseudo-doença e a razão para prescrições estapafúrdias.” (Bittencourt, 2008)

O consultório médico hoje em dia se tornou uma sala de um pseudo trabalho terapêutico. Muitas pessoas procuram uma orientação médica para aquilo que os aflige, e o consultório se torna um espaço depositário de angústias e desabafos, onde muitas vezes o corpo responde pelas questões emocionais. E o remédio se torna, a partir disto, a “cura” para os problemas enfrentados pelos indivíduos da nossa sociedade. O atendimento médico hoje deixa de ser um fator de necessidade, para um exagero praticado pelas pessoas.
     Com isto, vem-se observando que a cultura medicamentosa está cada vez mais enraizada na sociedade e nas famílias, onde a educação do uso excessivo e sem prescrições de drogas farmacêuticas é passada de geração para geração. Um fato que nos mostra essa realidade que enfrentamos hoje, é a maneira como nossos antepassados lidavam com a questão da saúde e da contenção de sintomas, onde podemos perceber que num momento onde a indústria ainda não tinha seu poder ou até mesmo sua evolução, a resolução dos problemas eram encontradas e executadas de uma outra maneira, sendo que remédios naturais ou até mesmo conhecimentos sobre plantas medicinais eram a opção mais procurada.
     Os medicamentos farmacêuticos são composições químicas que muitas vezes podem causar reações adversas. Hoje em dia, ao contrário de gerações anteriores, não buscamos mais informações sobre aquilo que estamos ingerindo ou qual a causalidade dele. Passou-se a acreditar cegamente nos conhecimentos médicos, químicos e biomédicos e neles foram depositados toda a nossa confiança, não questionando aquilo que nos é indicado ou prescrito. Com isto perdemos a autonomia e a competência de avaliar aquilo que passa de necessário a exagero no nosso cotidiano, e perdemos também o controle daquilo que estamos consumindo, pois acreditamos que o exagero nada mais é do que o necessário. Torna-se uma alienação sobre o consumo e a posologia de medicamentos, queremos apenas o alívio, pelo modo mais fácil e rápido.

     “As pessoas tornaram-se condicionadas a obter em vez de fazer, a comprar em vez de criar: em saúde, não querem mais curar-se, mas serem curadas (Nogueira, 2003a)”
    
     Os fatores históricos são determinantes nas questões sociais que enfrentamos, isso em todo o momento de nossa história. Aquilo que é trazido do passado, nos influencia no presente. A inclusão e/ou implantação da cultura medicamentosa também foi passada ou ensinada como algo bom, como aquilo que surgiu para melhorar a vida das pessoas, por isto foi inserida tão fortemente para nós.
    
     “Um estilo de pensamento é um conjunto entrelaçado de tradição, valores, crenças metafísicas, modelos abstratos, representações simbólicas, métodos e exemplos de procedimentos, aprendidos por semelhança e iniciação ao modo tradicional (extracientífico), que os membros de um coletivo de pensamento compartilham para determinada ação, projeto ou interesse específico. (Tesser, 2006)”

O que podemos perceber hoje é que a cultura dos medicamentos acumulados nas casas de todas famílias e o uso abusivo de medicamentos prescritos ou não prescritos, tornou-se algo normal e aceitável pela maioria da sociedade, pois medicar-se associou-se a ter saúde, ou, a não ser portador de doenças. E sabemos que isto foge da realidade que esta situação significa.
Medicamentos em excesso não significam benefícios para a saúde, pelo contrário, estudos comprovam que o consumo de determinados medicamentos podem causar depência tanto física, quanto psíquica, devendo ser usados em períodos curtos ou quando forem necessários, o que é contrastante com a realidade que presenciamos hoje. Mais uma vez nos deparamos com uma sociedade que se medicaliza para fugir de problemas relacionados a vida:

            “Da mesma maneira, nenhum remédio resolve os problemas de vida de ninguém: os problemas conjugais, relacionais, sociais, afetivos, sexuais e carenciais, no trabalho, na escola, a timidez, a solidão, o orgulho, a autocomiseração, o egoísmo, a culpa... continuam as mesmas ou pioram. Bem usados, os calmantes e outros medicamentos psiquiátricos podem dar uma "força" inicial para que a pessoa resolva ou aceite e aprenda a conviver com seus problemas. Nunca nenhum remédio deve ser usado como fuga de problemas. Se existem problemas emocionais relacionados a fatos da vida, a ajuda de um psiquiatra e de um psicólogo experientes podem ajudar a pessoa a resolver suas questões internas.”

Será que a partir deste ponto podemos considerar que os medicamentos farmacológicos estão surgindo como uma possibilidade de fuga dos problemas encontrados em nosso cotidiano? Ou eles surgem como o meio mais fácil e rápido de obtermos resultados satisfatórios contra aquilo que nos incomoda?
Um fato que não pode ser negado é que nos dias hoje o aumento do consumo de fármacos é gritante e que a dependência (muitas vezes desnecessária) dos mesmos gera um ciclo altamente vicioso que atinge os indivíduos da nossa sociedade contemporânea.

A medicalização excessiva é um dos grandes males da saúde atual, responsável por um número fantástico de vítimas nas mais diversas especialidades médicas. E é surreal observar que estas pessoas ignoram estarem reféns do seu próprio tratamento.” (Bittencourt, 2008)

A medicalização pode ter se tornado um “tratamento” para os problemas que crescem junto com a sociedade? A realidade é que podemos perceber que estas questões estão caminhando conjuntamente: o uso abusivo de remédios com o crescimento e desenvolvimento do mundo capitalista/competitivo e com os problemas psicológicos que vêm atrelados a esta atual sociedade em que vivemos. Tudo isto pode estar colaborando para aquilo que hoje se torna algo alarmante e extremamente preocupante, pois põe em risco a saúde de todos aqueles que fazem o uso abusivo de remédios.

Abç... Patrícia ( Blog | Twitter )

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Eles não usam Black Tie

Salve amigos do Rei!



Advinha quem está de volta na praça! Não sou da ex-quadrilha da fumaça, mas tô na área.

Vim trazer notícias - e não são boas - do mundo e de nossa Terra Tupiniquim, mais conhecida como Brasil.

A coisa está feia, as pessoas estão cada vez mais distantes de serem “humanas”. Não há pedidos ou cobranças de desculpas. Ninguém mais se fala. Estão mais para animais.

Reflexo da falta de investimento em cultura e educação.

Percebe-se que a única diferença ente as pessoas e os macacos é a capacidade de compreensão e percepção da realidade. No mundo inteiro. O planeta está parecido com o dos macacos.

Em São Paulo, o Gov. Alckimin (PSDB-SP) anunciou que será incluso, na grade do ensino médio, a matéria de sociologia. Seria um motivo para comemorar. Seria, pois para isso, a carga horária de português e matemática (matérias em que os alunos têm mais dificuldades) serão reduzidas.

A produção artística (para as massas) se adaptou a essa realidade e os produtores de cinema, por exemplo, escolhem filmar HQs com um público já consolidado (tipo Capitão América, Homem Aranha e Batman) e não se arriscam em uma temática nova.

Na música acontece o mesmo. Gravadoras determinam como artista deve se vestir, o que falar e pagam as rádios para tocar suas músicas (o velho conhecido Jaba).
O rock já não é o mesmo. Acabou a atitude rock n´roll. No Rock in Rio 2011, os roqueiros são caretas e não usam drogas, mas escutam Cláudia Leite e Ivete Sem Galo. Ou seja, estão utilizando drogas pelo ouvido.

Os livros são escritos para entreter e não mais para reflexão.
As editoras reescrevem finais, cortam trechos, com objetivo de deixar o livro mais comercial.

No teatro a coisa ta feia, se comparada há 50 anos.
Hoje o público é impaciente e não aguenta mais que 1:30hs de peça.
A fórmula mágica do sucesso de público e bilheteria é uma comédia com atores globais. Peça que aborda a temática relacionada com a periferia, o modo de vida, o sistema, a polícia, não existem, pois não faz sucesso com o público.

Faltou continuidade da proposta do grande Gianfrancesco Guarnieri, que em 1950 apresentou “Eles não usam black tié”. Sim! O avô do Lucas Silva e Silva do Mundo da Lua escreveu uma peça onde, no lugar de cenários pomposos e figurinos luxuosos, havia apenas os elementos de cena indispensáveis e ao invés de personagens ricos e nobres, os operários e os moradores do morro foram os protagonistas. Pela primeira vez na história do Brasil, os conflitos da realidade brasileira ganhavam espaço na caixa cênica.

Guarniere foi pioneiro na temática social, escrevendo uma peça com preocupações ligadas à representação de uma camada específica da sociedade brasileira. A peça tem como tema as greves sindicais daquela época. O texto é um rico debate sobre as grandes verdades eternas, mas o legal mesmo são as reflexões sobre a condição humana.

Inovou trazendo para o palco problemas sociais e entrou para história. Sua peça virou livro e filme, este último estrelado pelo próprio Guarnieri, Fernanda Montenegro e grande elenco. Peça e filme trazem uma canção feita por Adoniran Barbosa.

A impressão que tenho é que, a arte em geral, está regredindo. Ficando mais careta.

Está ficando insuportável viver assim. Estou pensando em vir embora de vez, para pasárgada!

Não encontrei nenhum link para baixar o livro e nem o filme “Eles não usam Black Tie”.

Neste caso não tem jeito! Vá logo à biblioteca mais próxima de sua casa (se houver) e pergunte ao bibliotecário pelo senhor “Giafrancesco Guarniere”!

@BibliotecarioSP

sábado, 17 de setembro de 2011

Grandes Humoristas - Final

Aê Manolos e Manolas, como estão?

Enfim, como prometido, o fim dessa grande seleção de Humoristas reconhecidos por todos que eu gosto! =p

Pois bem, a cada um desses 6 posts da série, eu justifiquei o porquê da escolha de cada um dos humoristas (comediantes) que apresentei... e dessa vez não será diferente.

Pois, vamos aos dois últimos que eu acho dignos de aparecer nessa série (ao menos por enquanto).
E o penúltimo é:

Rafinha Bastos!
E sim, eu sei que a patrulha do politicamente correto e os defensores de "tudo e todos" vão logo discordar (e fiquem a vontade). Claro, isso aqui não é um prêmio nem nada parecido, então, eu só justifico o motivo de eu achar que Rafinha é hoje um dos grandes humoristas do país... e é justamente por ele NÃO respeitar as convenções dos politicamente corretos!
Se pensarmos nos Trapalhões (colocados aqui com honras), o Rafinha é fraco demais! Claro, claro, outra época, outros "valores"... enfim, ainda assim é fraco perto de tantas coisas já feitas antes (e muito, muito engraçadas).

Pois, eu acho que o Humor é uma arte... e o artista que faz a diferença é justamente o que rompe com as convenções, quaisquer que sejam! E isso, ninguém pode negar que ele faz. Ofensivamente, brutalmente, mas faz... e como faz.

Sobre Bulliyng


Sobre o "meio ambiente"


Sobre um pequeno time de futebol de São Paulo


Sobre ele mesmo


Ou sobre tudo junto...


Então, usando de sensos comuns e de alguns jargões, somados a palavrões e uma teatral indignação, ele acaba fazendo comédia... e é isso, só isso!
E eu acho muito legal quando não se consegue separar o que é sério do que é piada, como nessa entrevista da Revista Isto é, em que ele fala sério... ou não.

Sei que muita gente discorda, mas, para mim, fazia tempo que não aparecia um cara como ele... assim como, faz tempo que não aparece um cara como esse último, pra fechar com chave de ouro!

Marcelo Adnet!
E eis que então, um cara que consegue fazer humor, só humor (ou todo o humor)...
Ele imita, faz personagens e tipos, faz criticas, faz piadas... é roteirista, ator, diretor... e por aí vai...

E aí o cara, com classe, tira sarro de pastor na TV


Jogador de futebol


Nas imitações, aproveita pra tirar um sarro de gente chata, como o Arnaldo Jabor


E consegue, com uma cena, virar ídolo da esquerda cult, com o eleitor da elite brasileira


E, pra finalizar, tem a participação dele no "Esquenta" da Rede Globo... aliás, nesse último vídeo tem o motivo da emissora dos Marinho estar doida atrás do cara... e ele já disse não algumas vezes...o cara tem estrela!


.
Pois bem, agora é o fim!

Foram poucos e bons (ao menos pra mim)... e ao ver a Dani Calabresa tão "escanteada" durante o último vídeo, pensei em fazer uma nova série, dessa vez com mulheres do humor... fica aí, pra qqer dia desses, ok?

abraços,

Foi uma grande satisfação!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

um pouco de poliamor

Um esboço, ou melhor, uma introdução - totalmente pessoal - ao poliamor:


Me aflinge que a idéia de amor - somente idéia, pois de fato ninguém o consegue definir de forma concreta - também por ser um conceito abstrato - ande tão junta daquilo que se chama de ciúmes. O enciumar acontece a partir do momento em que a atenção que cremos que deveria ser nossa passa a ser de outro. Mas é uma crença boba. Ciúmes está diretamente ligado com posse, percebe? Tendemos a acreditar que quando sentimos afeto por alguém, o alvo do afeto se torna pertence nosso. É essa idéia que deve ser desconstruída. Um carinho sincero, sem obrigações, sem cobranças, espontâneo como deve ser é muito mais honesto e consegue se aproximar muito mais de uma idéia de relação saudável - coisa que os românticos vivem dizendo almejar.

Ninguém é de ninguém, é impossível controlar a afetividade - que está ligada a também emoções que não se concretizam - de forma plena. Desse modo, relaçõeS saudáveiS, concomitantes, se tornam possíveis a partir do momento que abrimos mão de nossa possesão, essa mania de querer demais aquilo que nunca será alcançado - expectativas realizadas através de exclusividade sentimental e entrega amorosa total. Sem opressão, sem possessão, com a única cobrança sendo a transparência e o respeito, assim! E tudo me indica que respeito se aproxima muito mais de liberdade do que de ardência em ciúme.

Acho que estou me tornando livre. E percebendo que os outros também o são.
No fim, ninguém é de ninguém, não é mesmo? 

*

 Depois de tanto tempo sem aparecer por aqui, me reapresento. Meu nome é Julia, sou feminista, poliamorista e dona de uma espiritualidade incerta. Não odeio homens, creio em relações monogâmicas (é... rs) e não sou satanista. Obrigada, e terei prazer em conversar com qualquer um que se interesse pelos assuntos em pauta =)
 Beijo!




http://meusfigos.blogspot.com

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ira

Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.

Mahatma Gandhi






[@tah_rox] Perder-se também é caminho

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Relembrar o fato ou a dor?

Eu imagino que a maioria já esteja um pouco enfadada a ouvir ou ler coisas a respeito dos 10 anos do atentado às torres gêmeas, ocorrido em 11/09/2001. E com certeza ainda iremos ver muito sobre esse dia, devido ao grande patriotismo e a grande dor do povo norte-americano.
Porém, assistindo todas as homenagens que foram feitas não só no país, mas ao redor do mundo e também de ver a dor da lembrança para aqueles que ficaram, me fiz a seguinte pergunta: Isso se consiste em relembrar o fato ou a dor?

Algumas coisas acabam sendo um pouco contraditórias na nossa atualidade. A morte que é um destino a qual ninguém pode fugir, acaba sendo tratada de formas diferentes. Hoje podemos todos perceber, o quanto as pessoas possuem o medo da velhice, a não-aceitação dessa fase natural da vida e o "medo" das mudanças que ela carrega, e estão fugindo cada vez mais fisica e psiquicamente, se escondendo atrás de fórmulas estéticas fantásticas, que transformam uma senhora de 60 anos em uma mulher de 40. E isso é cada vez mais normal no nosso mundo, onde as pessoas enxergam este fato como um culto à beleza, ao estar e se sentir bem. Porém, isso acarreta num sentimento jovem que faz a pessoa continuar negando seus 60 anos de idade. Essa busca desenfreada pela juventude e a negação do envelhecimento, se camuflou como busca apenas da beleza. E isso faz com que nos convençamos mesmo que só estamos indo atrás disso. Mas envelhecer significa estar se aproximando da morte, e o homem desaprendeu a lidar com ela. A medicina (salvo muitos casos) também está ai para nos mostrar isso.
Após esse fato cada vez mais crescente de distanciamento que estamos estabelecendo com a morte, enganando nós mesmos que sempre teremos nossos 20 e poucos anos, pensei após tantos anos vendo a dor dos familiares e amigos e a grande homenagem às vitimas do 11 de setembro, o quanto o ser humano está entrando em contato com estas mortes. É aí que entra a posição contraditória que mencionei. Ele foge mas busca a dor que ela traz, ao mesmo tempo, e sem perceber.
Há quantos anos vemos todas as vítimas sendo lembradas e choradas?
Acredito que o fato deva sim ser lembrado por muito tempo, assim como temos a história e a memória de grandes acontecimentos mundiais. Mas será que é o fato que está sendo lembrado até agora ou a dor dessas pessoas? Uma dor que parece nunca ter fim. Um luto que NÃO quer ser elaborado, e que é relembrado todos os anos.
Algumas questões realmente me intrigam. A dificuldade de aceitação e de relação com a morte está aí: fugimos dela porque não a queremos, não a suportamos, mas quando ela chega, não nos conformamos e acabamos entrando sempre em contato com a dor que ela proporciona. E nisso se encontra a grande dificuldade do ser humano em aceitar e lidar com a morte.

A cada oportunidade que tenho de pensar sobre como o ser humano se relaciona com esta questão, fico mais intrigada. Por que precisa essa "não-aceitação" significar uma dor incessante?

Não estou questionando o fato do atentado, pois isto entraria em questões políticas que fogem ao meu alcance, mas penso na dor que é constantemente lembrada, sentida e cutucada, não permitindo então que sofrimento e angustia possam se libertar para que cada um possa seguir sua vida em frente, diminuindo talvez esse peso que carrega há tantos anos.
Ouvi na TV esses dias a triste comparação da cascata que construíram no lugar das torres com as lágrimas incessantes dos que ficaram. Que triste vida será essa? O quanto dói carregar este sofrimento?


Acredito, na minha concepção, que o fato deve ser lembrado, tanto pelo fato histórico e TAMBÉM pelas pessoas inocentes que morreram nesta data. Mas a dor das pessoas e este luto eterno, definitivamente, não irão mudar o mundo. A indignação não significa ação.
E termino também, com outro questionamento: Será que mostrar ao mundo um fato tão triste enfatizando o sofrimento causado, para que ele não aconteça novamente, irá realmente fazer o homem deixar de lado sua ambição e lembrar da existência do outro?

E o luto sempre fica, sem elaboração alguma, e sem acharmos que precisamos disso.
Abç... Patrícia ( Blog | Twitter )

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Seta!!


Ué? Ultimo post em 15/8? :O Indignação...

E por falar em indignação... Resolvi me aventurar com as palavras... Pois confesso que me dou melhor com os números...


Hoje vim trazer uma à vocês. Uma das coisas que mais me tira do sério é o trânsito. (meldels) O ato de "dar seta" - seja para virar uma rua, estacionar ou mudar de faixa - tornou-se limitado à algumas pessoas, sem falar em outras que adoram andar a 30Km/h na faixa da esquerda e não sabem olhar no retrovisor - pior: não vêem aquele "sinal" de farol alto (Como pode?!)

Enfim, você se depara com aquela pessoa LERDA que supostamente não sabe o que quer: se quer virar, se vai parar, se está procurando uma vaga ou se tem prazer de andar a 30Km/h. Para essas pessoas, eu sugiro que procurem alguma concessionária que venda automóveis que disponibilizem a "seta" como acessório opcional. (¬¬)

Se você é apenas um pedestre, não tem problema! Você também deveria estimular o uso da seta visto que ela pode te ajudar a atravessar a rua, sem ser atropelado por um (idiota) cidadão que esqueceu que tem esse acessório bem importante e já incluso em seu carro (na faixa!  Ohhh!)

Ressalto que o ato de "dar seta", não significa: "estou virando, cuidado!", ela deve ser acionada com certa antecedência à sua decisão e não quando você já se encontra no meio da curva, ou dentro da vaga...

Ah! Em tempo, quando o sinal fica verde, não precisa esperar ele ficar amarelo, ou pensar se aquela cor realmente é o verde, ou resolver procurar algo na bolsa, ou mexer no som... simplesmente ande. Existem outros carros atrás de você que contam com essa sua atitude! O mesmo digo para radar... se o radar é de 60Km/h, por que (raios) o cidadão quer andar à 20Km/h? Você não será multado se passar à 50Km/h!! Fica-a-dica!

Por @tah_rox
[Perder-se também é caminho]

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quem é você?

Há algum tempo tenho pensado sobre o comportamento das pessoas e sobre o meu próprio.
E pode botar aí nesse "algum tempo", alguns anos.
Repensado minha formação humana, incluindo religiosidade, cultura, orientações.

Nesse processo, consegui um novo relacionamento com a minha família, uma nova postura religiosa (ou não religiosa) e uma constante crescente (existe isso?) ideológica.

Hoje admito mudar, repensar, demorar, errar... acho que isso tem muito a ver com meu amadurecimento cronológico, já que nesse ano completo meus 30 (apesar de na Idade Interior eu ter só 26, viu Talita?).

Mas e daí?
Pois, olhar para o comportamento do outro, ao mesmo tempo que olho para o meu, faz com que exista a possibilidade de comparação.
E aí você se compara com aquela pessoa que você pensa ser um babaca! Vê nela o que você antes também fazia, vê nela o que você nunca fez, vê nela o que você nunca fará.
E se compara aquela pessoa que você acha um cara exemplar, percebe nela coisas que você quer fazer, coisas que você ainda não fez mas fará... e coisas que você também não quer fazer, por que esse cara as vezes também é um pouco babaca (como você).

Perceber o crescimento, a mudança, a "evolução"... perceber que você ainda vai mudar muito e que, as pessoas ainda vão mudar também.
Ajuda a não julgar, ajuda a não desmerecer o outro e principalmente não desmerecer você mesmo (eu mesmo no caso).

Mas que porra é essa Fábio?

Me motivei a escrever sobre isso por duas coisas, a primeira, um vídeo, do filósofo brasileiro (como ele mesmo se denomina) Mário Cortella (@MarioCortella). Nesse vídeo, Cortella fala sobre as pessoas que usam o "Você sabe com quem está falando?", que é tão comum em nosso cotidiano, não é?
Vejam o vídeo e a aula do Mario:

Sabe Com Quem Está Falando? from Santos Idag on Vimeo.


Ou seja, não somos muita coisa, certo?
Sei que, por estarmos em um país de formação cristã, somos costumeiramente forçados a crer que o ser humano é a pica das galáxias da criação e que Deus está em função de nós. Depois de algum tempo, acredito que essa é uma concepção equivocada de Deus e também de nós. Esse processo de pensar assim me fez deixar de me autodenominar "cristão", por perceber que para mim o Deus cristão não fazia sentido (apesar de eu achar que Cristo faz sentido).

Aí, nesse antropocentrismo narcisista (gostaram dessa?) que vivemos, temos a ideia de que somos o centro de tudo. E, pior, alguns além de acharem os seres humanos o centro de tudo, se acham o centro dos seres humanos.

Falei sobre isso rapidamente no post sobre o "Aquecimento Global", que eu não acredito existir (pelo menos nos moldes que apresentam).

O ser humano se acha muita coisa e vive com esses parâmetros. E alguns seres humanos sentem-se superiores a outros causando sofrimento aos demais. Superiores por conta da cor da pele, do gênero, da acumulação de bens, da acumulação de saberes ou conhecimento, da posição geográfica, da orientação sexual, por não portar alguma deficiência, por opção religiosa, etc.

Mas então...

Então que deveríamos entender que somos só parte e não tudo. Com relação à natureza (para destruir e preservar), com relação aos nossos semelhantes (que também fazem parte da natureza) e conosco.

Somos parte do problema, parte da solução...parte do todo. Em alguns casos, parte importante. Na maioria das vezes, parte insignificante.
E já que somos pequenos, fugazes, passageiros, essa pequena parcela de interferência de cada um, poderia ser mais expressiva não é?
Pra que tanta preocupação? Tanto preconceito? Pra que egoísmo e acumulação desmedida?

Nesses poucos anos (a Terra tem cerca de 4,6 bilhões de anos e você só vai viver até os cento e poucos no máximo!) poderíamos doar mais! Doar mais sangue, agasalhos, alimentos, trabalho voluntário, sorrisos, abraços, cordialidade, amizade, afeto...

Poderíamos avançar mais, acolhendo, julgando menos, acreditando mais. Denunciando mais o que está errado, se revoltando mais com injustiças, protestando e agindo contra as mazelas que ainda nos atacam.

É difícil demais, mas é possível.
Milton Santos, geógrafo, filósofo e exemplo de ser humano, morreu acreditando na humanidade. Ele dizia que a humanidade ainda não estreou, dizia que ainda estamos nos ensaios da humanidade. Mas com a fé que Milton Santos tinha na humanidade, dizia que essa estreia estava próxima.

Pois bem, finalmente o segundo motivo que me fez escrever tudo isso...uma foto.
Não sei se é verdadeira, mas é bem possível que seja.

Essa imagem mostra grãos de areia, vistos em um microscópio. Uma beleza grandiosa em algo tão minúsculo.

Pois é isso mesmo! Somos menos que grãos de areia se comparados com a imensidão do universo, mas, ainda assim, podemos ser belíssimos. Fazer diferença, mudar.
Tanta gente boa, gentil, honesta. Tanta gente que é exemplo e que, as vezes é meio babaca, por que, assim como você, é só um pequeno ser humano.
Como diz o comercial da Coca-Cola (se tem algo que eles sabem fazer é comercial), os bons ainda são maioria.

E aí, vamos estrear essa humanidade? Nem que seja uma estreia pessoal, acho que já é possível.

Se der pra trocar o "Você sabe com quem está falando" por um "por favor", já é um avanço grandioso (mesmo para alguém tão pequeno).

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A satisfação, essa sim é enorme.
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terça-feira, 28 de junho de 2011

Idade Interior

Olá meus amigos e amigos do Rei!

Nessa minha vida de "férias" do trabalho, recebo/acho cada coisa! E queria compartilhar o link abaixo com vocês. O site foi desenvolvido pelo Hospital UNIMED, e mostra a idade interior. Isso mesmo! As vezes temos uma idade na certidão de nascimento, todavia aparentamos outra. Isso se dá, algumas vezes por nossos hábitos alimentares e do dia-a-dia.

http://www.idadeinterior.com.br/

Tenho 22 anos, e segundo o site "Estou 2 anos mais nova" interiormente. (UHULL).
Ele me aconselhou a comer mais devagar também...rsrs. O duro é fazer isso quando tenho um chocolate ou um MC Donalds na minha frente... Enfim...

Sugiro a todos que percam 5 minutinhos do seu tempo, e comentem seus resultados.

Abçs.
Talita [Perder-se também é caminho]

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Necessidade quase que fisiológica

Olá amigos do Rei!

Alguém sentiu falta da coluna sobre livros na última sexta-feira? Já ouviram aquele ditado: “se não tem nada para dizer, melhor ficar calado”? Foi o que me ocorreu.

Li muitas críticas sobre minha coluna e a única que resolvi responder foi essa: “...perder o maior tempo escrevendo para ninguém...”
Sinceramente não escrevo pensando em vocês, caros leitores amigos do Rei. Escrevo como desabafo, não consigo ficar calado diante dos absurdos que acontecem aqui nesta terra tupiniquim. O que importa, na minha humilde opinião, é o conteúdo e não quantas pessoas leram. E se esse texto não chegar até você, é porque não é para você ser o leitor.

Escrevo por necessidade, quase que fisiológica.Como um cocô que nos aflige quando manda o sinal de que já está chegando, é como me sinto quando não escrevo. Minha sensação depois que o texto está pronto é como a sensação que temos quando o tal do cocô é libertado e pula em seu mergulho de ponta rumo as águas profundas da privada.

E por falar em merda, o assunto de hoje é o escritor brasileiro mais lido do mundo! O mago Paulo Coelho.

Li e por isso posso falar mal. O alquimista peguei para ler porque era muito fã do Raul Seixas e as musicas feitas em parceria entre os dois eram muito boas. Depois li Verônika decide morrer só para ter argumento para criticá-lo.
O cara que faz apologia a ignorância em seus livros, sempre reforçando que instrução intelectual não é algo tão necessário, não sei como, se tornou membro da ABL (Academia Brasileira de Letras).
Em O alquimista, o narrador se desfaz de um livro por considerá-lo “um peso inútil”!
Em Veronika decide morrer, o médico afirma que a personagem tem uma necrose no "ventríloquo” e não no ventrículo. Pior do que deixar passar os erros é declarar: “Deus pode estar escondido naquele cê-cedilha mal colocado”.

Paulo Coelho faz questão de passar uma visão otimista e ingênua do mundo e isso me irrita profundamente. Seus livros são, 60% encheção de linguiça, nos outros 40% ele se perde na inconsistência. Em O alquimista, a constituição de uma personagem é claramente inspirada na Bíblia, misturando elementos de Gênesis e Levítico que, segundo a narrativa bíblica, nada têm em comum.

Sou o @bibliotecarioSP. Um dos amigos do Rei! Escrevo sobre livros e de vez em quando sobre merdas na sexta-feira.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Acordar * A-cor-dar

Por Talita [Perder-se também é caminho]


Hoje, ao abrir minha caixa de email, deparei com um - em especial - que me chamou a atenção. Sei que hoje não é meu dia de postar, aliás eu nem sei qual é meu dia - @paivafabio HELP! - e esse também não é meu tema, todavia eu gostei da mensagem e queria compartilhá-la com os amigos do Rei.
Como essa é uma mensagem de "corrente de email", pode ser que 99% da população já conheça, e que só faltava eu. [rá] 


Você sabe o que significa a palavra "acordar"?
Se separarmos essa palavra em sílabas, teremos: A-COR-DAR
Viu? Significa "dar a cor", colocar o coração em tudo que faz!


Existem pessoas que acordam 6h00 da tarde (É isso mesmo!). Pela manhã, caem da cama ou são jogadas da cama, mas passam o dia todo dormindo.
Existem alguns, acreditem, que passam a vida toda e não conseguem acordar.
Eu tive um amigo que acordou aos 54 anos de idade, e me disse "Descobri que estou na profissão errada!". E ele estava quase se aposentando... Foi infeliz durante sua vida profissional, pelo simples fato de não ter "acordado".
As vezes o dia pode parecer cinzendo, mas ele tem exatamente a cor que EU dou a ele.


Engraçado é que os dias são todos exclusivos, cada dia é um novo dia, ninguém o viveu. Ele está alí esperando que você dê cor à ele.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Marias, vadias e livres.

Pra cada virgem Maria, uma Madalena. E todas são vítimas.

Vítimas de um sistema social onde tudo ainda é novelizado, talvez por culpa das próprias novelas e romances e a dificuldade de distinguir isso da realidade (maldito bovarismo!), talvez laivos do maniqueísmo, talvez nada dessas coisas. Define-se, na maioria das vezes, as pessoas em dois pólos: mal ou bom, amigo ou inimigo, justo ou injusto, certo ou errado, moral ou imoral, religioso ou ateu, e, no caso nas mulheres, triste isso, ainda existe mais uma classificação.

Por mais que se negue, existe, e é só pensar em rodas de conversas compostas por homens, ou até mesmo por mulheres, observá-las e verá, que ou as classificam de putas ou de santas.

Colando da wikipédia, "O marianismo, no sentido sociológico, é compreendido como um estereótipo derivado do culto católico feito à Virgem Maria, e aparece na América Latina sobretudo, como "a outra face do machismo"". Deriva-se da visão bíblica da mulher casta, pura, submissa, recatada, "do lar", obediente e todo o valor que há nessa. A mulher perfeita segundo o cristianismo*. Em diversos trechos** do livro sagrado cristão está presente a desvalorização da mulher através de uma supervalorização do sacro. Parece confuso, mas alguns versículos podem ajudar a visualizar:
"Vocês, (…) mulheres, sejam submissas a vossos maridos, a fim de que, mesmo se alguns recusarem acreditar na Palavra, eles sejam convertidos, sem palavra, pela conduta de suas mulheres, levando em consideração vossa conduta pura e respeitosa" I Pe 3:1 (ler até o versículo 7)

De forma contrária, existem as "vadias". E ainda dentro do "quase maniqueísmo", quanto mais uma mulher faz sexo, pior é sua índole. Hoje, em tempos de "liberdade sexual", por mais que a mulher (em teoria) possa escolher seus parceiros e transar com quem bem entender, é obrigada a pagar o preço da rotulação ainda existente. A mulher que faz mais sexo, segundo essa lógica, é usada (porque claro, o homem usou e abusou dela sem que ela sentisse qualquer prazer e tenha feito isso por puro hedonismo. Ela nao tem esse direito!!!), portanto, tem menos valor. A mulher "vadia" é objeto, é provocativa, é vulgar, não merece respeito. Essa é a lógica do patriarcado!

E... o que o marianismo e as vadias tem em comum? As duas rotulações são feitas de forma a calar a mulher, arrancar a sua voz e, de forma ou outra, submetê-la ao domínio masculino. A partir desse pensamento, de "colocar a mulher em seu devido lugar", abre-se espaço pra outros diversos tipos de agressões. É mais fácil seguir a lógica do "cale-se" do que enxergá-las (enxergar-nos) como seres plurais, autônomos, etc, etc.

Basta. Somos plurais e, acima de tudo, livres. Livres em conduta e livres de rótulos. Ao menos em teoria. Cabe agora, não só a nós, transformar isso em realidade.

Citando uma blogueira, é estranho que "em plena era do tesão, minha libído ainda é subversão". 

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* É obvio que existem x outras religiões machistas, mas prefiro me prender àquilo que está mais próximo, porém, menos visível.

** Cl 3:18; I Tm 2:11-15; 1 Co 18:34; etc.

*** Confusão de idéias, mais uma vez. De qualquer forma, não acho que isso deslegitime o discurso, mas peço que tenham paciência. Isso acontece toda vez que resolvo abordar um novo assunto. Não quero ser impositiva, mas acho importante abrir espaço para esse tipo de reflexão.



**** Sobre a imagem: Lilith é chamada demônio. Segundo a Cabala, porém, teria sido a primeira mulher de Adão, não feita de costela, como Eva, mas da terra, como ele. Não aceitou sujeitar-se ao marido, e, por conta disso, foi "transformada" em demônio. É acusada também de ser a serpente que levou Eva a comer o fruto proibido, que, segundo meu próprio ver, nada mais é que a liberdade do livre-pensamento.

Julia
http://meusfigos.blogspot.com

domingo, 5 de junho de 2011

Cápsula do Tempo

To devendo esse post há pelo menos uma semana. =x
Ai minha gente, mas é muita coisa na vida das pessoas, e desse blog né? Disputadíssimo! Tem dia com 5 posts. (UAU!)

Mas vamos lá...
É assim, eu sigo um blog muito especial o 365Nuncas (não sei se vocês já viram, mas dêem uma conferida depois.) que deu essa dica semana passada, eu acho.



A Cápsula do Tempo. É, a gente escreve pra gente mesmo daqui a 10 anos! (Massa né?)
Eu ainda não parei pra escrever pra mim, confesso. Por que eu quero me achar agradável, bonita, inteligente quando eu olhar pra 10 anos atrás, e quero poder chegar perto da pessoa quer serei daqui a 10 anos, hoje. Entende? =P

Conheço gente que já fez algo parecido, só não era on-line, era o lance de escrever uma carta e enterrar, esconder, trancar... e só abrir depois de alguns anos. Eu num sei se isso daria certo comigo, prefiro escrever pra esse, que me manda um email depois. ;)

Daí a dinâmica do site é bem simples, você registra o seu email (que terá que ser o mesmo daqui a 10 anos!!), e escreve. Eles vão guardar bem guardadinho, e você receberá um email, de você mesmo, na data que ele informa assim que você se cadastra no site. Nem é muita coisa que você tem que escrever, eu que sou meio lesa e ainda não fiz o meu.

Bom espero que vocês curtam esse diálogo (com você mesmo). :]

Um Beijão e boa semana (ou década!) pra nós!
Mais de mim no Miudezas.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Androcentrismo cotidiano e implícito


Quando eu ainda namorava, algumas coisas me irritavam profundamente, não só no relacionamento em si, mas da perspectiva pela qual os de fora o caracterizavam. Ou melhor, como ME caracterizavam.

Me ditavam "Ju do Rafa". Não por eu ser alguém apagada no nosso relacionamento, por ser omissa ou submissa (e mesmo que fosse), e sim por culpa da noção de patriarcado que parece ser instrínseca à nossa sociedade.

Ser identificada como pertencente à alguém é algo que eu aprendi a não aceitar. Sou uma pessoa, um conjunto de memórias, experiências, características próprias e peculiares e, por mais fútil que seja pautar alguém por isso, características físicas minhas. Sou identificada facilmente por eu mesma, não preciso que me encham de "tags" de posse.

Que me chamem de "Ju, a gorda", "a chata", "a melancólica", "a radical", mas nunca como propriedade de outrém. Se tem alguém a quem eu pertenço é a minha própria natureza, essência e consciência.

Precisa começar a brotar em nós, todas e todos, a ideia da emancipação. Minha essência e meu corpo são o MEU jardim. Sua essência e seu corpo são o SEU jardim. Por mais que dois jardineiros se encontrem e resolvam contemplar o do outro, mutuamente, o jardim nunca deve deixar de ser de quem é.

O meu corpo é um jardim, a minha vontade o seu jardineiro.
William Shakespeare

Eu não sou a Ju de ninguém. Eu não sou a extensão de ninguém.
http://meusfigos.blogspot.com

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O duplo sentido do inocente



Hoje me peguei pensando o quanto os desenhos representam para mim. Desde criança "perdi" muitas horas na TV com desenhos animados. Até hoje na idade adulta continuo perdendo.

Me refiro aqui não só aos desenhos animados, mas aos quadrinhos e as figuras de livros (infantis ou não); aos desenhos coloridos e os em preto e branco; aos desenhos com falas ou os mudos; aos pedagógicos ou os de "humor negro".

Sempre achei que todos possuíam (e ainda possuem) uma essência, a qual pode ser adquirida e compreendida da forma que se achar melhor.

Gosto do contraste que ele tem do mais inocente desenho infantil que leva o conhecimento e o desenvolvimento às crianças, aos contos de fadas que são estudados pela Psicanálise pois envolvem casos de neuroses até transtornos de personalidade. É desse duplo olhar pelo qual me sinto envolvida.

Atualmente, sinto que somos "privilegiados" por esse leque que nos oferece tantas opções para instigarmos a nossa imaginação e também o elo que possui com nossa subjetivação.

Na arte encontramos muitas características da vida, as quais muitas vezes passam despercebidas. Ou  simplesmente estão ali para nos divertir.

Um dos mais queridos para mim (embora tenha muitos para citar) é a animação do Snoopy da turma do Charlie Brown criado por Charles Schulz. Sempre achei uma audácia um cachorro que se senta na mesa de um bar, toma um chopp e ainda é sarcástico com os seres humanos.

Todos eles, desde super-heróis à vilões, ou personagens completamente inofensíveis estão na sua memória e fazem parte da sua história, pois a infância é algo que, irredutivelmente, é carregado com você e sempre será.

Abç... Patrícia ( Blog | Twitter )

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Mary e Max II

Oi gente, eu não poderia deixar de compartilhar isso com vocês;
Na semana passada a Méle Dornelas fez um post, muito bacana, sobre esse filme (estou bem curiosa, ainda não pude assisti-lo), mas eu tenho uma priminha, bem polêmica e faladeira que fez esse vídeo, comentando a censura (de 14 anos) do filme.  




Era isso, só pensei no Pasárgada quando ví o vídeo.


Beijo.


Eu to no: Problemas Miúdos.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Reações

Desde que @paivafabio adicionou os botões de reação, ainda não ví nenhum ousado clicar em "se fode nerdão".


Acredito eu, que as pessoas se sentem um pouco "achanhadas" (ou simplesmente não houve nenhum post para clicarem nesta opção). Então, crio este post para as pessoas aproveitarem, desabafarem e clicarem MUITO em "se fode nerdão".


:) Em breve posto mais desenhos, juro! 

segunda-feira, 9 de maio de 2011

E temos todos fome de bola...

 É realmente incrível o tempo que o futebol toma do brasileiro, seja para vibrar, provocar ou criticar. Claro que todos nós já percebemos isto, mas a cada vez que torno a voltar à um estádio isso fica muito mais evidente e cristalizado.

Nos 90 minutos vemos de tudo: alegria, indignação, raiva, euforia e tudo aquilo que o futebol pode nos proporcionar, mas a emoção é inerente a todos, tanto aos espectadores quanto aos jogadores. Emoções de lados opostos, emoções distintas, porém emoções.

Uns se calam num silêncio ensurdecedor, outros gritam até sua voz virar silêncio, a paixão muda de intensidade, a opinião crítica oscila no conhecimento, a expressão muda de cara. Mas todos estão lá, no sentido duplo do entendimento. Todos estão total ou parcialmente ali, com pouca ou muita atenção, mas estão. O futebol envolve, apaixona, irrita, entristece ou alegra, mas movimenta as emoções numa engrenagem completamente ativa e intensa, até você perceber que ele te invadiu sem precisar da sua permissão.

Dedico essa publicação ao querido Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba que parou sua cidade no último sábado com a conquista do Penta Campeonato da série A2 e que fez a cidade inteira perceber o quanto a emoção do futebol nos invade. Time guerreiro do interior caipira que está de volta à elite do futebol paulista, merecidamente.

Abç... Patrícia. ( Blog | Twitter ) 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Começamos!



Agora é pra valer. A volta do Zine Pasárgada está confirmada, com tudo!

O retorno, à primeira postagem e à proposta de mudar, foi muito positivo e, mais uma vez, confirmei o carinho pelo blog (que agradeço de novo).

Somos até o momento 7 blogueiros, unidos por aqui, autônomos e em grupo.
Aos poucos as caras vão aparecendo e nossa proposta toma corpo!

Então, recomeçamos! Amanhã já tem postagem...e que seja assim por muito tempo.
E, para possíveis futuros interessados, leiam o post anterior e comuniquem-se com a gente!
=)

.
Para marcar esse momento, relembro a primeira postagem do blog, que foi o editorial do Jornal impresso (idéia inicial do Zine), em agosto de 2007:

"O Zine Pasárgada nasceu de uma vontade e de uma necessidade. A vontade era fazer movimento influente e participativo na cultura literária, cinematográfica, quadrinística, musical, entre tantas. Um movimento que chamasse atenção e fosse produtivo e que ao mesmo tempo agradasse aos olhos e aos intelectos.

A necessidade era de fazer o mesmo movimento, mas que nesse processo existisse espaço para incluir “sangue novo”. Para fugir do vício dos espaços que gotejam sempre as mesmas idéias, personagens e opiniões.

Eis então Pasárgada! Um espaço alternativo de divulgação de idéias, pessoas, tendências, estilos, parceiros... Sem pretensão de ser um jornal, sem diminuir a importância de um Fanzine...

Que sejamos todos os protagonistas deste momento."

Amém!

é sempre uma satisfação!