Zine Pasárgada
foi um Fanzine cultural e educacional que se propôs divulgar os mais diversos tipos de expressões artísticas e os mais variados assuntos.

O jornal Pasárgada teve 3 edições impressas e distribuídas na cidade de Piracicaba/SP e está guardado, junto com outras idéias, no limbo da falta de tempo e dinheiro.

O blog retomou a proposta do Zine e abriu espaço para diversidade de idéias e de expressões.

Hoje o blog acompanha o jornal e as atividades estão encerradas.

Foi uma grande satisfação ser um dos amigos do Rei.

Fábio

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Cultura Negra e o Sincretismo Religioso

Por Ronaldo Almeida.


No início da década de 80, do séc. XX, começou um movimento de resgate da consciência negra. Uma valorização da cultura negra, suas tradições, sua religião. Nesse contexto, foi levantada a questão do sincretismo afro-católico, onde, muitos adeptos do candomblé mais ortodoxos, levantaram bandeiras contra a utilização de imagens de santos católicos dentro dos terreiros e sua associação com os Orixás africanos.

Nos terreiros de Umbanda essa visão de resgate da consciência negra não foi tão forte, mas muitos terreiros e adeptos compraram a ideia de abolir as imagens dos santos católicos dos altares umbandistas e substituí-las pelos elementos característicos de cada Orixá como uma forma de tornar mais "verdadeira" o culto a esses Orixás dentro da Umbanda.

O que notamos nesse processo é que tanto os candomblecistas quanto os umbandistas, só conseguiram enxergar o sincretismo existente em suas religiões na forma de utilização das imagens, porém, não visualizaram as outras formas de sincretismo existentes dentro de seu culto. "Talvez seja mais fácil mudar de roupa do que saber o que vestir".

Com relação ao candomblé, existem outras formas de sincretismo além das imagens, como é o caso do culto de um panteão de divindades que, em sua maioria, tem culto reservado na África, como é o caso do Orisá Sango e do Orisá Ogun. Só que com a vinda dos negros de várias localidades diferentes da África para o Brasil, devido ao tráfico negreiro, vários cultos e divindades africanas acabaram se aglutinando naquilo que conhecemos hoje como candomblé, mas que, em sua origem africana, eram várias formas abrangendo mais de 2.000 Orisás.

O culto do candomblé foi formado por um processo sincrético, embora de origem africana, e, realmente, não caberia ser agregado uma outra forma sincrética, incorporada num processo ou numa tentativa de aculturação do negro pelos padres católicos; de associar as divindades africanas aos santos católicos. É um ponto de vista coerente, pois os Candomblés não absorveram, na adoção das imagens dos santos, os fundamentos cristãos em seu culto ou doutrina. O que não pode ser dito em relação à Umbanda, pois ela, além de adotar a utilização do vínculo das imagens dos santos como representações dos Orixás, também incorporou a mensagem cristã dentro de suas várias formas doutrinárias. Sendo assim, é mais fácil para os Candomblés se desfazerem das imagens dos santos católicos, do que os terreiros de Umbanda, pois se os terreiros de Umbanda retirarem as imagens dos santos, também terão de retirar toda uma mensagem religiosa baseada nas palavras de Cristo.

A retirada de imagens dos terreiros de Umbanda não acaba com o sincretismo afro-católico como muitos assim se referem, mas estaria de bom tom ser chamado apenas sincretismo religioso, pois podem tirar as imagens e colocar, por exemplo, os elementos representativos de cada Orixá, mesmo assim, não acaba com o sincretismo religioso existente dentro da Umbanda. Talvez fique mais difícil a percepção desse sincretismo, mas ela será evidente quando diante de um conga (altar Umbandista), onde antes haviam imagens de santos católicos e que agora são vistos elementos como pedra, ferro, flores...

A Umbanda é uma religião sincrética. Alias, todas as religiões são sincréticas; umas mais, outras menos, mas todas são. Talvez o que a sociedade tenha que entender é que esse sincretismo não faz mau, e é sim, uma característica da Religião de Umbanda, que faz com que ela seja tão dinâmica, tão aberta, tão diversa em suas práticas. É ver o sincretismo como uma qualidade, um diferencial, que fez com que a Umbanda sobreviva como religião e abrisse suas portas a linhas espirituais que antes não existiam, mas que devido ao sincretismo e a diversidade que ela proporciona passaram a ser trabalhadas dentro da Umbanda, como: marinheiros, cangaceiros, baianos, orientais, e ciganos.

Ronaldo Almeida é religioso do Candomblé.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Marias, vadias e livres.

Pra cada virgem Maria, uma Madalena. E todas são vítimas.

Vítimas de um sistema social onde tudo ainda é novelizado, talvez por culpa das próprias novelas e romances e a dificuldade de distinguir isso da realidade (maldito bovarismo!), talvez laivos do maniqueísmo, talvez nada dessas coisas. Define-se, na maioria das vezes, as pessoas em dois pólos: mal ou bom, amigo ou inimigo, justo ou injusto, certo ou errado, moral ou imoral, religioso ou ateu, e, no caso nas mulheres, triste isso, ainda existe mais uma classificação.

Por mais que se negue, existe, e é só pensar em rodas de conversas compostas por homens, ou até mesmo por mulheres, observá-las e verá, que ou as classificam de putas ou de santas.

Colando da wikipédia, "O marianismo, no sentido sociológico, é compreendido como um estereótipo derivado do culto católico feito à Virgem Maria, e aparece na América Latina sobretudo, como "a outra face do machismo"". Deriva-se da visão bíblica da mulher casta, pura, submissa, recatada, "do lar", obediente e todo o valor que há nessa. A mulher perfeita segundo o cristianismo*. Em diversos trechos** do livro sagrado cristão está presente a desvalorização da mulher através de uma supervalorização do sacro. Parece confuso, mas alguns versículos podem ajudar a visualizar:
"Vocês, (…) mulheres, sejam submissas a vossos maridos, a fim de que, mesmo se alguns recusarem acreditar na Palavra, eles sejam convertidos, sem palavra, pela conduta de suas mulheres, levando em consideração vossa conduta pura e respeitosa" I Pe 3:1 (ler até o versículo 7)

De forma contrária, existem as "vadias". E ainda dentro do "quase maniqueísmo", quanto mais uma mulher faz sexo, pior é sua índole. Hoje, em tempos de "liberdade sexual", por mais que a mulher (em teoria) possa escolher seus parceiros e transar com quem bem entender, é obrigada a pagar o preço da rotulação ainda existente. A mulher que faz mais sexo, segundo essa lógica, é usada (porque claro, o homem usou e abusou dela sem que ela sentisse qualquer prazer e tenha feito isso por puro hedonismo. Ela nao tem esse direito!!!), portanto, tem menos valor. A mulher "vadia" é objeto, é provocativa, é vulgar, não merece respeito. Essa é a lógica do patriarcado!

E... o que o marianismo e as vadias tem em comum? As duas rotulações são feitas de forma a calar a mulher, arrancar a sua voz e, de forma ou outra, submetê-la ao domínio masculino. A partir desse pensamento, de "colocar a mulher em seu devido lugar", abre-se espaço pra outros diversos tipos de agressões. É mais fácil seguir a lógica do "cale-se" do que enxergá-las (enxergar-nos) como seres plurais, autônomos, etc, etc.

Basta. Somos plurais e, acima de tudo, livres. Livres em conduta e livres de rótulos. Ao menos em teoria. Cabe agora, não só a nós, transformar isso em realidade.

Citando uma blogueira, é estranho que "em plena era do tesão, minha libído ainda é subversão". 

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* É obvio que existem x outras religiões machistas, mas prefiro me prender àquilo que está mais próximo, porém, menos visível.

** Cl 3:18; I Tm 2:11-15; 1 Co 18:34; etc.

*** Confusão de idéias, mais uma vez. De qualquer forma, não acho que isso deslegitime o discurso, mas peço que tenham paciência. Isso acontece toda vez que resolvo abordar um novo assunto. Não quero ser impositiva, mas acho importante abrir espaço para esse tipo de reflexão.



**** Sobre a imagem: Lilith é chamada demônio. Segundo a Cabala, porém, teria sido a primeira mulher de Adão, não feita de costela, como Eva, mas da terra, como ele. Não aceitou sujeitar-se ao marido, e, por conta disso, foi "transformada" em demônio. É acusada também de ser a serpente que levou Eva a comer o fruto proibido, que, segundo meu próprio ver, nada mais é que a liberdade do livre-pensamento.

Julia
http://meusfigos.blogspot.com

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Nascimento da Umbanda

"Sou apenas um caboclo brasileiro"

"Se é preciso que eu tenha um nome digam que sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, pois não haverá caminhos fechados para mim. Venho trazer a Umbanda, religião que harmonizará as famílias e que perdurará até o final dos séculos..."

"Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade..."

"Nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos os que souberem menos e a nenhum viraremos as costas ou diremos não"


Com estas palavras, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, incorporado em seu médium Zélio Fernandino de Moraes, que na época contava com 17 anos, fundou a religião de Umbanda, tendo se manifestado dentro da recém fundada Federação Espírita de Niterói, no dia 15 de Novembro de 1908.

No dia seguinte, na casa da Família Moraes, o Caboclo se manifesta fundando ali a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Nossa Senhora acolheu Jesus em seus braços, a Umbanda haveria de acolher os filhos seus. No mesmo dia se apresentou Pai Antônio e juntos, o Caboclo e o Preto Velho, marcaram as duas principais linhas a se manifestar na Umbanda. Logo viriam as Crianças, a Linha de Ogum, os Exus sob doutrina e outros que se mesclam nestas linhas que trabalham juntas.

A influência kardecista na tenda seria grande, contando inclusive com uma “mesa branca” para os trabalhos de desobsessão. Zélio de Moraes dedicou todos os dias de sua vida à Umbanda até o ano de 1975, quando se deu o seu desencarne.


Durante os seus 67 anos de trabalho voltado para a Umbanda, Zélio fundou dezenas de Tendas e ajudou a fundar centenas delas. Das tendas fundadas por ele, que se mantinham sob seu comando indireto, continua ativa ainda a Tenda Espírita São Jorge, sob o comando do Sr. Pedro Miranda, também presidente da União Espírita de Umbanda do Brasil, que já se chamou Federação Espírita de Umbanda do Brasil, a primeira Federação da nossa religião fundada em 1939 por orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Muito se fala sobre a origem da palavra Umbanda, podemos citar aqui pelo menos três prováveis origens: Pode ter vindo do kimbundo, língua falada em Angola, onde significa a arte de cura ou a prática espiritual do Sacerdote-Xamã Kimbanda. Alguns acreditam que a palavra teria vindo do sânscrito Aumbhandã, traduzido por conjunto das Leis de Deus. Há ainda uma teoria mais popular e até simpática para o significado da palavra onde o Um é Deus e a Banda somos nós, logo Umbanda seria nós e Deus, ou a Banda do Um.

Sendo assim todo dia 15 de novembro, podemos dizer a religião genuinamente brasileira, que hoje conta com mais de 100 anos e em pura atividade.

Ronaldo Almeida é religioso do Candomblé

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ilê Axé Abassá de Ogum e a Intolerância Religiosa

Por Ronaldo Almeida


Iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos – a Mãe Gilda, foi a Sacerdotisa do Ilê Axé Abassá de Ogum, moradora e fundadora deste Terreiro de Candomblé localizado próximo da Lagoa do Abaeté no Bairro de Itapuã em Salvador - BA. Mãe Gilda tinha uma vida discreta desde o ano de 1996 quando fundou o terreiro, iniciando sua prática religiosa naquele local.
Mãe Gilda exercia suas práticas religiosas cotidianamente e sua Casa era frequentada por adeptos moradores da comunidade, como também por aqueles oriundos até de outros estados.

A saga do Abassá de Ogum iniciou quando sua fundadora resolveu participar das manifestações públicas e populares pela reivindicação do impeachment do então presidente da república brasileira, Fernando Collor de Mello. A campanha ficou conhecida como o ‘Fora Collor’, na década de 1990, e contou com a participação ativa de milhares de cidadãos brasileiros em todo o território nacional contendo diversas expressões, das mais variadas vertentes populares e/ou governamentais, como forma de demonstrar a insatisfação com a situação e garantir a destituição do presidente. Tudo muito divulgado na imprensa, com ampla cobertura na mídia televisiva, escrita e nas demais formas de comunicação.

Entretanto, foi a forma de expressão da Mãe Gilda eleita pela Iurd – Igreja Universal do Reino de DEUS para atacar o povo do Candomblé na sua crença e manifestação prática da sua religiosidade.

Em 1992 a revista Veja publicou uma matéria, em que aparecia uma foto de Mãe Gilda, trajada com roupas de sacerdotisa, tendo aos seus pés uma oferenda como forma de solicitar aos orixás que atendessem às súplicas daquele momento. E em outubro de 1999 a Iurd publicou essa fotografia no jornal Folha Universal, para a ilustração de uma reportagem sobre charlatanismo, sob o título: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A matéria afirmava estar crescendo no País um “mercado de enganação”. Nesta reportagem, a foto da Mãe Gilda, aparecia com uma tarja preta nos olhos. A publicação dessa foto marca o início de um doloroso, porém definidor processo de luta por justiça da família e de todos os religiosos do Candomblé.

A repercussão foi tão grande que a Folha Universal tinha na época uma tiragem de 1.372.000 unidades, ampla e gratuitamente distribuídas. Assim sendo, inevitavelmente a comunidade local tomou conhecimento da reportagem e, por uma falta de compreensão do que estava acontecendo, integrantes da comunidade interpretaram que a Mãe Gilda havia se convertido e estava pregando contra sua religião, pois sua foto estava naquele veículo. Qual a consequência disso? O descrédito e afastamento de fiéis! E mais: dada a fragilidade do momento, adeptos de outras religiões sentiram-se no direito de atacar diretamente a casa da Mãe Gilda, agredindo-a e ao seu marido, verbal e fisicamente, dentro das dependências do Terreiro, até quebrando objetos sagrados lá dispostos.

Mãe Gilda não suportou os ataques diante destes fatos, com a saúde fragilizada, seu estado piorou e ela veio a falecer no dia 21 de janeiro de 2000.

Sua filha, Jaciara Ribeiro dos Santos, moveu uma ação contra a Iurd, por danos morais e uso indevido da imagem. KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviços, através de seus advogados passaram a representar a família em uma ação, por meio da assessoria do Programa Egbé Territórios Negros. O falecimento de Mãe Gilda se deu no dia seguinte em que assinou a procuração constituindo seus advogados para defender o caso, em clara expressão do seu desejo por reparação.

Inicialmente no Município de Salvador e posteriormente, no Governo Lula, foi instituído, em homenagem a Mãe Gilda e sua luta, o dia 21 de janeiro como o Dia Nacional de luta contra a intolerância religiosa. Data em que pessoas de diferentes credos, raças, etnias, sexo celebram mais um passo a favor da dignidade humana para compartilhar caminhos que possibilitem o enfrentamento a essa vergonha, que se alastra de forma ampla, geral e irrestrita: a Intolerância Religiosa. Esta forma nefasta de impedir a livre expressão religiosa, individual e coletiva, garantida por lei é desrespeitada por vários setores da nossa sociedade. Inclusive por instituições religiosas que, apesar de pregarem princípios de amor ao próximo, solidariedade e respeito, não estão devidamente preparadas para responder a esse desafio, e acabam por demonstrar preconceitos e descriminar a partir de posturas institucionais, como o caso de Mãe Gilda, que hoje serve de inspiração e símbolo de luta para todos nós.

Em 2004, cinco anos depois do início do processo, a Iurd foi condenada em primeira instância, ficando estabelecido o ganho de causa da ação de Mãe Gilda. A sentença, favorável à ação indenizatória
Em apelação na segunda instância – Tribunal de Justiça da Bahia – pela Igreja Universal e sua gráfica, o processo ficou sem resposta até maio de 2005, quando o povo do Candomblé realizou um ato público em frente ao Tribunal de Justiça da Bahia para reivindicar agilização da decisão do tribunal.
Em 6 de julho do mesmo ano, saiu a decisão sobre o caso: o Tribunal de Justiça da Bahia julgou e condenou, por unanimidade, a Igreja Universal do Reino de Deus por danos morais e uso indevido da imagem da Iyalorixá Mãe Gilda
Após 9 anos de luta e diversas mobilizações públicas reivindicatórias do desenrolar do processo, no dia 16 de setembro do ano de 2008, saiu a decisão da 3ª instância: o Superior Tribunal de Justiça confirmou, também por unanimidade, a condenação da Igreja Universal do Reino de Deus.

A sentença representou um ganho político e social sem precedentes na história do País, que vem reafirmar os direitos garantidos pela constituição brasileira da liberdade de expressão e contra qualquer tipo de discriminação. É uma vitória de um povo que, historicamente, sofreu e ainda sofre este e outros tipos de preconceito; que mesmo depois de cessadas as perseguições policiais ainda continuava sem liberdade de expressão religiosa.

Ronaldo Almeida é representante de setoriais de defesa da liberdade religiosa, membro do movimento negro e religioso do Candomblé.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Começamos!



Agora é pra valer. A volta do Zine Pasárgada está confirmada, com tudo!

O retorno, à primeira postagem e à proposta de mudar, foi muito positivo e, mais uma vez, confirmei o carinho pelo blog (que agradeço de novo).

Somos até o momento 7 blogueiros, unidos por aqui, autônomos e em grupo.
Aos poucos as caras vão aparecendo e nossa proposta toma corpo!

Então, recomeçamos! Amanhã já tem postagem...e que seja assim por muito tempo.
E, para possíveis futuros interessados, leiam o post anterior e comuniquem-se com a gente!
=)

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Para marcar esse momento, relembro a primeira postagem do blog, que foi o editorial do Jornal impresso (idéia inicial do Zine), em agosto de 2007:

"O Zine Pasárgada nasceu de uma vontade e de uma necessidade. A vontade era fazer movimento influente e participativo na cultura literária, cinematográfica, quadrinística, musical, entre tantas. Um movimento que chamasse atenção e fosse produtivo e que ao mesmo tempo agradasse aos olhos e aos intelectos.

A necessidade era de fazer o mesmo movimento, mas que nesse processo existisse espaço para incluir “sangue novo”. Para fugir do vício dos espaços que gotejam sempre as mesmas idéias, personagens e opiniões.

Eis então Pasárgada! Um espaço alternativo de divulgação de idéias, pessoas, tendências, estilos, parceiros... Sem pretensão de ser um jornal, sem diminuir a importância de um Fanzine...

Que sejamos todos os protagonistas deste momento."

Amém!

é sempre uma satisfação!

domingo, 17 de outubro de 2010

Manifesto cristão em favor da vida

“Se nos calarmos, até as pedras gritarão!”


Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da Vida em Abundância!

Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à moral”.

A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19, 40).

2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:

3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.

4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).

5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.

6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.

7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões.

Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.

Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrevemos:


Assinam mais de 200 autoridades religiosas,

consciente e crente, assino junto.
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Dilma Presidente, para o Brasil seguir mudando.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

CNBB e as Eleições

Reproduzo aqui a nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, que é órgão máximo da Igreja Católica no país, sobre as eleições.

Percebam que a nota fala sobre a MANIPULAÇÃO e o uso indevido do nome da CNBB.

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Sexta-Feira, 08 de outubro de 2010

Nota em relação ao momento eleitoral

P. nº 0849/10

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio de sua Presidência, congratula-se com o Povo Brasileiro pelo exercício da cidadania na realização do primeiro turno das eleições gerais, quando foram eleitos os representantes para o Poder Legislativo e definidos os Governadores de diversas unidades da Federação, bem como o nome daqueles que serão submetidos a novo escrutínio em 2º turno, para a Presidência da República e alguns governos estaduais e distrital.

A CNBB congratula-se também pelos frutos benéficos decorrentes da aprovação da Lei da Ficha Limpa, que está oferecendo um novo paradigma para o processo eleitoral, mesmo se ainda tantos obstáculos a essa Lei tenham de ser superados.

Entretanto, lamentamos profundamente que o nome da CNBB - e da própria Igreja Católica - tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação. Certamente, é direito - e, mesmo, dever - de cada Bispo, em sua Diocese, orientar seus próprios diocesanos, sobretudo em assuntos que dizem respeito à fé e à moral cristã. A CNBB é um organismo a serviço da comunhão e do diálogo entre os Bispos, de planejamento orgânico da pastoral da Igreja no Brasil, e busca colaborar na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Neste sentido, queremos reafirmar os termos da Nota de 16.09.2010, na qual esclarecemos que "falam em nome da CNBB somente a Assembléia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência". Recordamos novamente que, da parte da CNBB, permanece como orientação, neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País, a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada este ano em sua 48ª Assembléia Geral.

Reafirmamos, ainda, que a CNBB não indica nenhum candidato, e recordamos que a escolha é um ato livre e consciente de cada cidadão. Diante de tão grande responsabilidade, exortamos os fiéis católicos a terem presentes critérios éticos, entre os quais se incluem especialmente o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana.

Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro.

Brasília, 08 de outubro de 2010

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

SE/Sul - Q. 801 - Conj. "B" - CEP 70401-900 - Caixa Postal 02067 - CEP 70259-970 - Brasília-DF - Brasil - Fone: (61) 2103-8300/2103-8200 - Fax: (61) 2103-8303

E-mail: secgeral@cnbb.org.br - Site: www.cnbb.org.br

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Portanto, se receberem algum e-mail ou mesmo informação qualquer, dizendo que a CNBB não recomenda voto nesse ou naquele candidato, é mentira!

Se receber qualquer informação sobre bispos que dizem para não votar em determinado candidato, o bispo pode falar por ele próprio, mas não pela CNBB e pela igreja.

Vamos tentar manter a verdade e o povo esclarecido.

Estão querendo confundir o povo católico e incitar o ódio. É uma pena, mas isso não prevalecerá, até por que, qualquer criança sabe (aproveitando o dia delas hoje): MENTIRA TEM PERNA CURTA.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Frases (parte 2)

"Se dou comida aos pobres me chamam de santo.
Se pergunto porque os pobres não têm comida, me chamam de comunista."
Dom Hélder Câmara
lembrei dessa frase hoje na aula sobre as diferenças geradas pelo Capitalismo. Viva Dom Hélder.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Portas de Banheiros

Daria um belo estudo sociológico/antropológico: Por que as pessoas escrevem nas portas de banheiros?

Rápidamente relacionamos com vandalismo, o qual relacionamos com pessoas mal educadas, despreparadas ou mesmo maldosas, que tem más intenções, começando pela própria escrita num local público. E é certo (acredito por enquanto).

Estive em um encontro de professores da rede Adventista do Estado de São Paulo nos últimos três dias. Esse encontro ocorreu em uma estância ou fazenda chamada "Árvore da Vida", ligada a igrejas protestantes e considerado um dos melhores lugares para grandes eventos em todo o Brasil.



Existiam muitos banheiros. E muitas portas de banheiros. E eu, como qualquer um de nós, uso o banheiro (oooh). E... lá estavam as frases!

Mas essas eram diferentes das que eu já havia lido banheiros afora, eram frases de evangelização!



Agora podemos fazer questões: Primeiramente as frases estão escritas na altura de quem senta para "evacuar", isso significa que a pessoa que escreveu as frases evangélicas fez isso enquanto cagava?

Segundo, o cidadão que escreveu imaginou que outros leriam...mas será que ele não imaginou que outros leriam na mesma situação dele, ou seja, cagando?

Terceiro, uma pessoa que ao invés de escrever: "Curintchano é tudo presidiário", ou até mesmo: "Clodovil é da Independente", escreve: "Jesus é o caminho", deve ser considerado menos vândalo? Será que o cara pensa: "Estou promovendo o bem!"???

Quarto e último (por hora), por que outras pessoas ficam instigadas a escrever mais frases perto da outras? Eu mesmo senti uma vontade enorme de escrever algo como: "Sorria você está cagando!"

É um sentimento muito forte, acreditem.

Enfim, como diria o professor Marins: "Pense nisso!"

é sempre uma satisfação.

ps.: desculpem por usar o termo "cagando" ao invés de "fazendo necessidades" ou "pagando o turco", ou ainda "borrando a porcelana", ou até mesmo "dando um cagão"... na verdade, nada seria tão bom (e nada seria tão ruim)...apenas a vida como é.

ps.2: no banheiro da escola tem uma frase bacana: "Lá fora você é um machão. Aqui você é um cagão"